Os Saggittonenses

 

Novas amizades e inimizades perigosas

 

CICLO MORDRED

6

OS SAGGITTONENSES

 

POR

NILS HIRSELAND

 

IMAGEM DA CAPA

GABY HYLLA

 

 
 

Título Original:

Die Saggittonen

 

Tradução:

Marcel Vilela de Lima

 

Revisão:

Márcio Inácio Silva

Marcos Roberto

 

Formatação final para liberação no Projeto Traduções:

Márcio Inácio Silva

 

Capa em português

Manuel de Luques

 

Conversão para os formatos ePub, PDF e Mobi:

José Antonio

Publicação não comercial

 

O projeto Dorgon — ciclo Mordred — é uma publicação não comercial do PERRY RHODAN ONLINE CLUB e. V.

 

A tradução para o Português do Brasil é feita com autorização de Nils Hirseland.

 

Perry Rhodan® é uma marca registrada

Verlagsunion Erich Pabel – Arthur Moewig KG (VPM KG), Rastatt, Germany,

Star Sistemas e Projetos Gráficos Ltda., Belo Horizonte, Brasil

www.projtrad.org/dorgon

dorgon@projtrad.org

  1. O que aconteceu até agora 

 

Em outubro de 1285 NCG, a espaçonave de luxo LONDON parte para um cruzeiro no Grupo Local. A nova espaçonave capitânia da Liga Hanseática Cósmica eleva as tradicionais empresas terranas a novas alturas.

A bordo também se encontra Perry Rhodan, que leva o prestigioso somerense Sruel Allok Mok para Camelot na LONDON. Entre os ilustres convidados não está apenas a família arcônida Orbanashol, mas também a seita “Os filhos da fonte de matéria”, liderada pelo pai Dannos.

Eles estão em uma autoproclamada missão cósmica e sequestram a LONDON. Mas seu “plano cósmico perfeito” falha quando uma espaçonave desconhecida aparece e leva a LONDON para a galáxia M-64. Trata-se d’OS SAGGITTONENSES...

 

Personagens principais:

Perry Rhodan – O portador de ativador celular tem de lutar por sua vida.

Rosan Orbanashol – A jovem meio arcônida renuncia definitivamente à sua família.

Wyll Nordment – Nem mesmo intrigas sinistras podem separar o primeiro-oficial da LONDON de seu grande amor.

Sam – O somerense é um auxiliar importante de Perry Rhodan.

Aurec – O saggittonense está diante das ruínas de sua vida atual.

Dolphus – O comandante da frota espacial saggittonense busca ser Chanceler.

Rodrom – A encarnação da poderosa entidade MODROR.

Sato Ambush – O pararrealista no meio de pararrealidades e universos paralelos.

  1. Capítulo 1 

A história de Saggittor

 

A história de Saggittor começa por volta de 336.405 anor. O que aconteceu antes não foi registrado.

Naquele tempo não havia saggittonenses. O povo predominante eram os horworrenses. Os seres moluscoides controlavam metade da galáxia. Eles eram sofisticados e tecnologicamente avançados. As outras raças da galáxia ainda eram primitivas e não tinham voo espacial. Assim, os horworrenses eram o principal povo da galáxia. No entanto, eles ainda acreditavam em sua deusa, que os protegia. O nome dela era SAGGITTORA. Em sua honra deram o nome “Saggittor” à sua galáxia.

Um dia histórico para os horworrenses começou no 20.000º roltoton, o feriado nacional em que se comemorava a fundação do Reino Horworrense...

Dos arquivos dos historiadores galácticos holpigonidas.

 

***

 

Ulmk, a frota de investigação alcançou as nebulosas escuras — relatou o cientista Olmk.

Os horworrenses eram um povo muito curioso. Eles se tinham imposto a tarefa de explorar toda Saggittor. A pesquisa do centro galáctico era um grande desafio. As nebulosas escuras e emissões energéticas tornavam a navegação quase impossível. Mas eles também temiam os pergaminhos antigos, que diziam ser lá o domicílio de SAGGITTORA. Mas o desejo de pesquisar era mais forte. Eles construíram naves mais resistentes e montaram uma frota que deveria penetrar no centro durante o feriado.

Ulmk era o líder horworrense. Ele estava aboletado em seu sofá e se dedicava a seu passatempo favorito — comer. Em torno dele enxameavam muitos outros moluscos. Eles celebravam com ele o seu casamento com a bela Quowora, segundo os padrões horworrenses. Ela estava sentada ao lado dele, comendo tanto quanto ele. Era a festa de casamento. Apenas o casal recém-formado podia comer. Os outros convidados tinham a honra de assistir ao espetáculo.

Olmk foi visto na tela de comunicação. Ele era o comandante da frota de investigação, esperando novas ordens.

No segundo dia de roltoton, a frota entrará na área do centro. Hoje meu casamento é celebrado — anunciou o monarca.

Como quiser, grande governante — o comandante disse submisso.

Ulmk e Quowora se retiraram para seus aposentos. Lentamente, eles se arrastaram um em direção ao outro. Ulmk secretou um líquido viscoso, então ele agarrou sua noiva e a envolveu. Ambos começaram o ritual de acasalamento. Os corpos gordos jaziam no chão e lutavam.

Quowora soltou alguns ruídos...

 

***

 

Podemos, por favor, pular esta parte de suas histórias, Doroc? — perguntou o chateado somerense Sam.

Doroc olhou surpreso para ele. — Eu gosto dessa parte, mas se você quiser, eu continuo a partir do segundo dia de roltoton — respondeu Doroc.

Por favor, faça isso — disse Sam.

 

***

No dia seguinte, o casal real se reuniu com muitos outros horworrenses animados, diante da grande tela, observando a frota voar para o centro.

Um grande dia para mim! — disse Ulmk. Ele olhou em volta. — Para todos nós, é claro.

As naves desapareceram e o contato foi interrompido. Os horworrenses ficaram desapontados.

Eu quero ver mais. Onde estão as naves agora? Tragam-nas de volta! — mais uma vez lamentou Ulmk.

Os técnicos trabalharam para melhorar a ligação. Então ressurgiu a imagem do comandante Olmk.

Nós encontramos uma armada formidável. Devemos ter enfurecido SAGGITORA — ele gritou.

Atrás dele se podiam ouvir as explosões.

O que você está falando é uma estupidez! — O governante reagiu rispidamente.

Antes que Olmk pudesse responder, a projeção foi envolvida por uma luz brilhante. Em seguida, o contato por hipercomunicador foi perdido.

Ulmk e os outros ficaram sentados estupefatos e em silêncio, por um tempo, diante da grande tela.

Depois eles preferiram recuar para seus quartos.

 

***

 

No dia seguinte, informaram Ulmk que uma frota gigantesca de naves alienígenas atacava os planetas de colonização próximos ao centro. As colônias foram completamente destruídas. Com isso, foi selado o naufrágio do Império Horworrense.

Ulmk colocou toda a sua frota em movimento, mas, a cada confronto com as naves discoides dos desconhecidos, os horworrenses levavam a pior.

Uma semana depois, os desconhecidos surgiram e destruíram completamente o mundo. O planeta foi partido e quase nenhum horworrense conseguiu se salvar. Ulmk e sua esposa morreram junto com o planeta, como quase todos os sete bilhões de moluscos. O império horworrense foi destruído.

Os sobreviventes nas colônias interpretaram isso como um ato de vingança da deusa SAGGITTORA, que tinha ficado com raiva de terem entrado em seu reino. Alguns horworrenses escreveram a história do declínio de seu povo e distribuíram os registros por toda a galáxia, para que seu destino fosse transmitido à posteridade.

 

***

 

Após o desaparecimento dos horworrenses há 280.000 anors, os sobreviventes caíram no primitivismo. Nos milênios anors seguintes o desenvolvimento estagnou na galáxia. Mas a natureza seguiu seu curso e outros povos começaram a tomar o lugar dos horworrenses. Entre eles estavam os jaravenses e os erwarnenses.

Os jaravenses eram reptiloides com comportamento extremamente agressivo e guerreiro. Sua ascensão levou milhares de anors, até que fossem capazes de deixar seu planeta natal. Nos séculos anors seguintes eles conquistaram gradualmente o lado leste da galáxia.

Mas, no extremo oposto da galáxia, um povo começou a superar as limitações de seu planeta de origem. A raça erwarnense era humanoide e considerada agora ancestral direta dos saggittonenses. Assim como os jaravenses, eles conheciam as tradições horworrense; por isso, os dois povos declararam o centro galáctico como uma zona tabu. Em paralelo com a expansão jaravense no leste, os erwarnenses espalharam-se pelo lado oeste de Saggittor. Finalmente os dois impérios estelares entraram em confronto. As primeiras escaramuças locais evoluíram rapidamente para uma guerra galáctica, que durou 7.200 anors. No final, a vitória jaravense foi total. Sua frota conquistou os planetas coloniais erwarnenses e escravizou os sobreviventes humanoides. Os povos recém-descobertos, varnidenses e trottenses, que estavam no limiar da era espacial, também foram violentamente incorporados ao reino estelar jaravense e oprimidos. Seu domínio sobre Saggittor durou 36.000 anors. Dentro da galáxia não havia nenhum povo que podia ameaçar o poder jaravense. Mas, com os milênios anors, cresceu também a arrogância e a ganância dos lagartos. O aviso horworrense caiu no esquecimento ou foi ridicularizado como superstição. Assim, o Primeiro Jarave decidiu que até mesmo a região central deveria ser incorporada ao seu reino e montou uma frota de conquista com 300.000 naves.

O Primeiro Jarave assumiu ele mesmo o comando da campanha. Ele realmente conseguiu superar as nebulosas escuras. Mas o destino subsequente da frota jaravense é registrado em arquivos restritos...

Dos arquivos dos historiadores galácticos holpigonidas.

 

***

 

Um campo invisível está entre nós e o interior do centro galáctico. Mas vamos atravessá-lo. Somos jaravenses, o maior poder no Universo e nada pode nos deter.

A frota ainda conseguiu passar por essa barreira. Como exatamente foi conseguido, não se sabe. Eles chegaram a um sistema com uma supergigante azul.

Então, como relatou o Primeiro Jarave, uma gigantesca espaçonave voou em direção a eles. Uma espaçonave tão grande quanto um asteroide, mas cuja forma era diferente. Um ser com traje vermelho ardente apareceu do nada na central de comando. Não era um lagarto, porque não tinha cauda, e seu rosto estava coberto por um capacete vermelho.

Quem é você? — perguntou o Primeiro Jarave.

Isso não importa. Devem deixar o sistema imediatamente ou serão destruídos — disse o Vermelho.

O Jarave riu. — Você se atreve a me ameaçar? Nós somos o maior povo do Universo! — ele gritou.

O Vermelho não se impressionou. — Vocês são primitivos que nada entendem, embora suas habilidades de luta sejam notáveis. Em nome do meu senhor e mestre MODROR eu lhes farei uma oferta, criaturas, que é melhor não rejeitar!

O Jarave cruzou os braços. — Tudo bem, eu estou ouvindo.

Sirvam MODROR! — sugeriu o Vermelho. — Assim, sua sobrevivência estará assegurada. Atendam nossas demandas e sua civilização será gloriosa por milênios!

O lagarto riu alto. — Seu miserável idiota, nós somos o povo mais glorioso do Universo. Nosso reino existiu por eras e existirá para sempre. Nós rejeitamos sua oferta! Seria melhor você se juntar a nós, porque nosso governo está assegurado – para sempre

Ele levantou os braços.

O Vermelho se resignou. — Você não sabe o quanto está errado... — ele retrucou melancolicamente e desapareceu.

***

 

Após este anúncio, a poderosa espaçonave atacou e massacrou a frota, como se fosse um monstro. Pouco tempo depois apareceu as naves-disco das tradições horworrenses e se seguiu uma dura batalha. Os jaravenses perderam mais da metade de suas naves. Após a espaçonave capitânia explodir junto com o Primeiro Jarave, as iguanas recuaram. Assim que chegaram a seu sistema natal, o estranho apareceu. Embora a poderosa frota jaravense tivesse suportado os ataques muito tempo, ela finalmente sucumbiu. Em seguida, as naves alienígenas destroçaram todas as bases da frota jaravense.

Ao mesmo tempo, os povos oprimidos se revoltaram e arremessaram o povo dos lagartos de volta à insignificância. Nos séculos anors seguintes ressurgiram os erwarnenses, mas também o seu pequeno e emergente reino estelar foi dizimado pelas naves-disco. No seu caso, os desconhecidos vindos do centro galáctico agiram com muito mais brutalidade do que contra os jaravenses. Eles não se limitaram à destruição da infraestrutura militar, mas destruíram e despovoaram sistematicamente os mundos de colonização humanoide. Em seguida, eles alteraram sua política. Durante vários séculos anors eles permaneceram presentes em toda Saggittor e destruíram a infraestrutura de cada povo que se preparava para entrar na era espacial. As vítimas foram os varnidenses, trottenses e holpigonidas, que tinham evoluído a partir dos sobreviventes horworrenses. O opressor sem nome finalmente aprovou que cada povo tivesse uma pequena frota de naves desarmadas, para permitir um comércio interestelar limitado. Depois de 216.378 anors ocorreu uma grande batalha final, quando estes povos conspiraram contra o desconhecido. Mas o número de mortos gerados por essa rebelião foi terrível.

Nos 36.000 anors seguintes pareceu ter acabado o reinado das naves-disco. Quem quer que fossem os estranhos, ninguém os havia encontrado, pois eles nunca tinham deixado suas naves. Nenhum dos povos de Saggittor se atreveu a usar mais do que as cem espaçonaves autorizadas. Durante este tempo os holpigonidas começaram a pregar que um dia a deusa SAGGITTORA viria para redimi-los. Eles usaram as naves mercantes para seguir de planeta em planeta, construindo pequenos templos em honra da deusa em todos os lugares. Finalmente chegaram a um mundo isolado, praticamente intocada pela visitação do centro.

A partir de colonos deixados para trás havia surgido um jovem povo — os saggittonenses. Influenciados pelos missionários holpigonidas, eles nomearam seu planeta em honra à deusa e tentaram reunificar os povos que concordassem em enfrentar os ocupantes.

Finalmente, com ajuda holpigonida, foi desenvolvido um plano de longo prazo por um saggittonense chamado Makor, o qual deveria gerar a libertação de Saggittor. Em instalações subterrâneas secretas em todos os sistemas, surgiram centros científicos de investigação e estaleiros de naves espaciais, onde foram desenvolvidos campos defensivos mais fortes, armas mais eficazes e ligas mais duras. Os holpigonidas garantiram que as novas descobertas científicas fossem gradualmente difundidas em todos os mundos da nova aliança. Finalmente eles começaram a construir uma frota com a qual esperavam poder vencer o velho inimigo.

Este projeto levou 72.000 anors, então os povos atacaram. Com uma frota gigantesca de mais de 500.000 unidades, eles enfrentaram as espaçonaves dos ocupantes onde as puderam encontrar.

E os saggittonenses, varnidenses, trottenses e holpigonidas venceram. Os alienígenas foram repelidos em 18.000 anors de guerra permanente e expulsos da galáxia. A frota quis penetrar no centro, mas o supergigante azul tornou-se uma supernova, que ampliou as anomalias gravitacionais e os hipercampos. Isso tornou impossível até mesmo se aproximar da barreira energética na área do centro. Finalmente a frota combinada se retirou da região central.

Eles esperaram alguns anos, mas os estranhos e suas naves-disco não apareceram.

Assim foi fundada a República Saggittor após 90.000 anors. No Conselho de Saggittor se sentavam os líderes dos povos unidos, bem como um Chanceler vitalício. Eles eram em sua maioria saggittonenses, que lideravam a República.

Dos arquivos dos historiadores galácticos holpigonidas.

 

***

 

Faz 720 anors que sou o Chanceler de Saggittor — Doroc completou sua história. — Agora vocês conhecem a história da nossa galáxia. Os estranhos nunca mais voltaram e faz 90.000 anors que nossa galáxia vive em paz e tranquilidade.

 

  1. Capítulo 2 

Os mundos dos saggittonenses

 

Rhodan estava impressionado. Aurec esclareceu para ele que um ano saggittonense, um anor, correspondia a 1/3,6 de um ano do Novo Calendário Galáctico. Portanto, Rhodan calculou que o Chanceler Doroc tinha cerca de 200 anos e que a galáxia viveu em paz durante cerca de 25 mil anos.

A expectativa de vida média de um saggittonense era cerca de 900 anors. Aurec, com apenas 97 anors, ainda era uma criança. Rhodan imaginou que o filho do Chanceler tinha nascido por volta de 1.258 NCG.

Fazia 25.000 anos que os povos de Saggittor tinham seu próprio calendário, que era dividido em anors, semors e diats. Semors eram equivalentes às semanas, enquanto os diats aparentemente representam os dias. Mas cada planeta tinha um segundo cálculo, que tomava como base a rotação do planeta em torno de seu eixo e do sol.

Os saggittonenses designavam um dia planetário como netar-diat. Assim Rhodan soube que netar, na linguagem saggittonense, significava planeta.

A partir das histórias sobre o ser vermelho, um emissário de um poder misterioso chamado MODROR, ele concluiu que os habitantes de Saggittor estavam relacionados às forças do caos. Rhodan explicou aos presentes os conceitos básicos do modelo das cascas de cebola, em particular, a dualidade entre Cosmocratas e Caotarcas. Ele suspeitava que os alienígenas e este Vermelho estavam a serviço dos Caotarcas e provavelmente tinham uma base no centro de Saggittor. Por toda parte eram encontrados os poderes superiores. Em muitas galáxias, Cosmocratas e Caotarcas já tinham feito das suas.

Mesmo nesta”, Rhodan pensou amargamente.

Depois do jantar — Rhodan teve problemas com a matéria de gosto acentuado — ocorreu um interlúdio musical.

Algumas saggittonenses de boa aparência e trajes coloridos dançaram involuntariamente de forma bastante engraçada. Rhodan considerou estranhos o som da música e a arte da dança, mas elas pareciam dinâmicas e espirituosas.

Doroc pareceu apreciar muito a apresentação. Ele aplaudiu alegremente, sorrindo de orelha a orelha.

Perry virou-se para Aurec. — O centro não é mais pesquisado há 25.000 anos?

Aurec confirmou. — Nenhuma de nossas espaçonaves poderia penetrar no campo de força ainda existente.

Bem, eu estou um pouco familiarizado com os poderes do caos. Se de fato há uma estação caotarca por lá, eu gostaria de investigá-la.

Você consegue atravessar o campo de força?

Rhodan fez um gesto deliberado. — É difícil dizer. Em qualquer caso, devemos fazer uma tentativa. Eu acho que primeiro precisamos ficar aqui mais alguns dias. Arno Gaton certamente quer concluir alguns acordos comerciais antes de voar de volta para casa. Neste meio tempo, podemos explorar a estação.

Aurec sorriu. — Bem, eu vou aprontar a SAGRITON. Vamos partir amanhã cedo.

  1. Capítulo 3 

Entrada da Galatopédia sobre os saggittonenses

 

Nota pessoal.

O autor destas linhas, o somerense Sruel Allok Mok, mais conhecido pelo pseudônimo Sam, considera importante capturar digitalmente os novos conhecimentos adquiridos sobre as civilizações da galáxia Saggittor. Após o esperado retorno iminente da LONDON à Via Láctea, esta entrada deve ser registrada na Enciclopédia Galáctica.

Sam

 

***

 

A galáxia Saggittor era conhecida pelos galácticos como M-64 — o Olho Negro. Ela distava cerca de vinte milhões de anos-luz da Via Láctea.

Os humanoides saggittonenses, os seres molusco holpigonidas, os seres planta varnidenses, os canídeos trottenses e os seres mecânicos multivons eram os povos dominantes desta galáxia.

Os saggittonenses dominavam o espaço e viviam de acordo com seus próprios desígnios e em paz fazia 25.000 anos. Mas a área no centro era inacessível. Esta área dava nome à galáxia M-64: O Olho Negro. Nebulosas escuras com milhares de anos-luz cobriam todo o setor.

De volta aos saggittonenses. Eles eram muito semelhantes aos terranos, com exceção de algumas pequenas diferenças orgânicas. A cor da pele dos saggittonenses variava entre bronzeada e escura; o cabelo, entre o marrom e o negro; a cor dos olhos, entre castanho esverdeado, marrom e quase negro.

Os saggittonenses se viam como um povo orgulhoso e com sede de ação. Embora os saggittonenses fossem geralmente considerados pacíficos e justos, eles também tinham pavio curto. Seu orgulho obviamente às vezes se transformava em arrogância e sentimento de superioridade — em especial por causa de sua posição política e militar dentro da galáxia M-64.

Em Saggitton se prezava especialmente a honradez e quando o se tornava cidadão, se era artisticamente dotado ou um bom guerreiro. Dizia-se que a honra permeava tudo aquilo que tinha tornado Saggittor ordenado. Como corolário, as ações egoístas eram consideradas desonrosas. Estas também eram proibidas em público.

A igualdade de gênero, a liberdade religiosa e o direito à autorrealização eram altamente considerados em Saggittor. Os povos deviam viver em harmonia uns com os outros. Os indivíduos deviam ser encorajados a lidar com seus pontos fortes e fracos.

O sentimento de família era forte nos saggittonenses. Os divórcios eram considerados como um pesadelo, sendo permitido apenas em situações limitadas (maus-tratos, traição múltipla). Ter filhos era altamente valorizado e se alocava muito tempo e esforço na educação das crianças, seja pelos pais ou por um elaborado sistema escolar.

Um saggittonense adolescente deveria aprender ética, para viver com decência e honra, arriscar sua vida para o bem da comunidade e proteger os fracos. Ele também deveria receber formação adequada e, em seguida, ser instruído na arte da guerra. Após a conclusão deste treinamento básico, ele era capaz de escolher sua carreira de acordo com suas inclinações (mas, às vezes, sob pressão da família).

Embora houvesse igualdade entre homens e mulheres, mas de modo algum havia sincronização entre ambos os sexos. Apenas o encanto da diferença era importante para a vida dos saggittonenses. Como o conceito de honra e de homem honrado era pronunciado, era normal que um homem cortejasse a esposa ou a olhasse como um sexo mais fraco.

As mulheres saggittonenses, porém, pouco perturbavam a sociedade apesar de fazerem os homens fortes saberem muito bem onde as mulheres eram superiores.

Ligações homoafetivas existiam e eram toleradas. Mas a parceria entre homens e mulheres tinha classificação mais elevada, pois produzia descendentes.

A forma de governo era uma espécie de monarquia eletiva constitucional, competindo ao Chanceler as chefias de Estado e de Governo. Se o povo estivesse satisfeito com seu governo, ele poderia ser reeleito indefinidamente. Outra característica do sistema saggittonense de governo era que o Chanceler reinante tinha o direito de nomear seu sucessor. Este poderia até ser de sua própria família, como era o caso de Aurec, que fora indicado como sucessor por seu pai Doroc. Mas essa escolha tinha de ser confirmada por uma eleição popular. Neste momento, a população tinha a chance de eleger um dos vários candidatos rivais. No entanto, todo o processo eleitoral ocorria em desvantagem de possíveis candidatos da oposição, porque somente o Chanceler em exercício poderia determinar a data de sua demissão e, assim, a data da eleição. Em caso de morte prematura do Chanceler, havia a certeza de que seu sucessor proposto, pelo menos até a confirmação, que deveria ocorrer dentro de cinco anors (16 meses galácticos), realizada por meio de eleição, tocaria os negócios do governo.

Também o método normal de estender o prazo da chancelaria era semelhante ao galáctico. A população não podia simplesmente demitir um Chanceler em exercício, mas podia deliberar sobre isso a cada 50 anors (pouco mais de 13 anos galácticos). Este período era designado como “longa legislatura”. — No caso de uma “discussão” sobre problemas prementes, o Chanceler teria de se valer de um referendo, que era conhecido como uma “curta legislatura”. Depois de mais cinco anors, a sociedade poderia determinar se o Chanceler tinha resolvido os problemas específicos a contento, ou se deveria haver uma nova eleição para Chanceler. Na história saggittonense, uma troca de governo provocada era algo extremamente raro. Como resultado, todo o sistema de governo era dominado por verdadeiras dinastias, muito semelhantes às casas reais ou imperiais absolutistas da Via Láctea.

Também a escolha dos membros do gabinete era crucial para o cargo de Chanceler. Ele determinava sozinho os candidatos, apesar de eles terem de ser aprovados pelo povo. Neste nível também era possível a influência das várias partes interessadas da sociedade saggittonense, porque o Chanceler tinha de estar interessado em que seu candidato fosse confirmado pela maioria da população.

Não havia partidos em Saggitton, nem mesmo pequenas associações de pessoas com os mesmos interesses.

A economia desempenhava um papel subordinado na galáxia. Ela era apenas um instrumento para assegurar a prosperidade e o abastecimento da população. Já fora comprovado há séculos que os saggittonenses trabalhavam para melhorar o progresso e o nível de vida, mas não para ganho pessoal. Apesar de os saggittonenses usarem dinheiro, na maioria dos mundos não havia subclasses sociais ou de uma elite rica. O resultado era um equilíbrio regulado por meio de uma legislação apropriada.

Os saggittonenses eram a maior potência militar na galáxia M-64. Servir na frota espacial era considerado uma glória e uma honra. Ao mesmo tempo, ela era um viveiro de exagerado nacionalismo e patriotismo.

A frota espacial saggittonense tinha quase 300.000 espaçonaves militares de todos os tamanhos. Também havia inúmeras naves mercantes, escaleres planetários e iates privados. A construção típica da frota era a discoide. Havia várias classes de naves de diferentes tamanhos e armamento; as classes eram comparáveis às do antigo Império Solar. Em medidas galácticas, a primeira classe era de 200 metros, aos cruzadores pesados; a próxima classe, de 700 metros, era equivalente a algo entre um cruzador de batalha e um couraçado.

A maior classe, de 3.000 metros, correspondia a algo como os antigos ultracouraçados da classe Portadora, formando a espinha dorsal da frota saggittonense. A espaçonave capitânia de Aurec, a SAGRITON, tinha 5.000 metros, uma classe especial e a maior espaçonave da galáxia.

Junto com as espaçonaves dos trottenses, varnidenses, holpigonidas e dos outros povos de Saggittor, a força de combate e pesquisa contava com mais de 500.000 espaçonaves.

  1. Capítulo 4 

Encontro em Saggitton

 

Um pequeno ônibus espacial buscou Shel Norkat na LONDON. Ela foi levada para o palácio onde Aurec já a esperava.

Agradeço por ter aceitado meu convite — disse ele.

Ele beijou a mão dela em saudação. Shel ficou ligeiramente vermelha. Os homens com quem ela mais lidava não mostravam tão bons modos.

Você parece adorável — disse o saggittonense. Shel estava usando um vestido preto até os joelhos.

Ele ofereceu-lhe um lugar. O servo robô trouxe uma caçarola de massu, com um delicioso molho picante. Aurec também selecionou Ebi-Vino-Scil. Shel Norkat considerou a caçarola de massu semelhante à lasanha. O Ebi-Vino-Scil era um vinho saggittonense.

Pelo menos Shel não notou muita diferença. Aurec falou muito de si mesmo, enquanto Shel permaneceu reservada.

Aurec queria dirigir a conversa para ela.

Por que voava na LONDON? — ele perguntou.

Ela passou a mão através de seus próprios cabelos loiros.

Principalmente para esquecer o meu passado.

Seu passado é tão ruim?

Sim, é!

Você quer me dizer alguma coisa sobre isso? Eu sei ouvir bem.

Mas ela hesitou um pouco. — Eu não quero que você... o senhor... — ela começou hesitante.

Aurec deu a entender que não tinha nada contra o tratamento pessoal.

Tudo bem, eu não quero que você pense mal de mim — explicou ela.

Eu não vou — assegurou ele.

Ela contou. Ela teve problemas com a família e os homens e tinha escolhido amigos errados.

Drogas, bebidas, sexo. Tudo o que te deixa carente em uma metrópole, quando se perde o controle.

Aurec olhou para a terrana irritada. Sua honestidade era chocante e atraente ao mesmo tempo. Esta estranha criatura com cabelo louro sedoso, profundos olhos azuis e pele pálida, o tinha tocado, pois ela não reclamava, apesar de sem dúvida ter levado uma vida selvagem, muito distante de seu padrão.

Shel bebeu muito. Aurec fez o mesmo, esperando que a atmosfera ficasse mais solta.

 

***

 

Aurec abriu os olhos devagar. Ele descansava e o crânio rosnava. Apenas vestida com sua roupa de baixo, Shel descansava como um saco molhado em seu estômago, com os pés estendidos e parecendo mesmo dormir profundamente. Aurec tentou recapitular a noite. Ele constatou sobriamente que nada de sexo rolara. Eles tinham bebido muito, se beijado e, em seguida, Shel caiu no sono. Aurec se perguntou se era por causa dele? Mas ele se consolou pensando que provavelmente foi a grande quantidade de álcool.

Ele chamou um dos atendentes por intercomunicador e pediu que trouxesse o café na cama.

Após cerca de 20 minutos, três atendentes serviram o café para o filho do Chanceler saggittonense e a terrana.

Shel acordou e ficou envergonhada a princípio, pois ela aparentemente também teve problemas para montar o quebra-cabeças da noite anterior. Aurec se vestiu rapidamente, para não produzir mais embaraços.

Perry Rhodan de repente se anunciou pelo intercomunicador, querendo saber quando a SAGRITON partiria para a barreira do centro.

Aurec tinha quase esquecido isso. Ele pediu desculpas para Rhodan e informou a tripulação da SAGRITON sobre a partida próxima.

  1. Capítulo 5 

A barreira

 

Perry esperou impacientemente na ponte da SAGRITON pelo Príncipe de Saggittor.

Ele passou o tempo com uma pequena conversa com o primeiro-oficial Waskoch, que era um dos poucos contemporâneos amigáveis a bordo. Rhodan suspeitava que o almirante Dolphus não gostava dos galácticos.

Depois de um tempo chegou o saggittonense, que parecia bastante embaraçado.

Aconteceu alguma coisa? — perguntou Rhodan, um pouco preocupado.

Aurec procurou palavras. Ele não poderia informar Rhodan dá verdadeira razão do atraso.

Eu provavelmente perdi a noção do tempo quando tentei aprofundar a experiência das relações entre os nossos povos.

Ah — Rhodan fez e olhou com expectativa para seu relógio.

Aurec imediatamente compreendeu e deu a ordem de partida. A SAGRITON se elevou lentamente do espaçoporto, deixou a órbita do planeta e voou através do sistema saggittonense, para depois ir para velocidade superluminal.

Rhodan percebeu durante o voo que Aurec estava com um humor particularmente bom, mas não quis cavar mais fundo. Aurec indicou apenas brevemente ter tido um jantar com Shel Norkat.

Após oito horas, a SAGRITON chegou à vizinhança do centro. Era extremamente difícil navegar através das nebulosas escuras e das hipertempestades. Finalmente, ela forçou o campo de força do hiperespaço.

Rhodan mandou examinar o campo, mas não foi possível determinar sua natureza. Finalmente concordaram em experimentá-lo pela força. Aurec deu ordem de fogo, mas nem mesmo o fogo pontual alcançou o efeito desejado. Não havia nenhuma maneira de romper a barreira.

Desapontados, Rhodan e Aurec voltaram com a SAGRITON.

  1. Capítulo 6 

Conspiração

 

Dolphus andava para lá e para cá, preocupado, em seu quarto. Ele não gostava da situação. Rhodan tinha obtido a confiança de Doroc e Aurec.

Ele só estava há vinte e dois diats em Saggitton.

Uma guerra contra terranos ou galácticos certamente não haveria. A multidão mantinha Aurec em alta conta, pois ele tinha trazido novos amigos. Dolphus preferia ter apresentado prisioneiros para a população. Mas até mesmo as empresas saggittonenses já assinavam contratos com Arno Gaton e Jakko Mathyl. Não havia lugar para militaristas como Dolphus. Ele já via seu final. Resignado, ele se deixou cair em uma cadeira.

As coisas estão mudando constantemente — ele ouviu uma voz grave.

Ele imediatamente pegou seu radiador térmico. Ele o apontou na direção onde pensou ter ouvido a voz. Mas não havia ninguém.

Você não precisa ter medo. Sou amigo — disse a voz.

Uma impetuosa figura luminosa vermelha materializou ao lado dele. — Eu sou Rodrom.

Dolphus ainda manteve a arma apontada para ele.

Isso não seria sábio — disse o Vermelho.

O saggittonense levou um tempo para se recompor. Ele estremeceu.

O que você quer?

Ajudá-lo. Eu tenho a solução para todos os seus problemas.

O almirante ficou atento. Ele abaixou a arma.

Diga quais são as soluções!

Uma coisa depois da outra. Você tem os seguintes problemas: paz em Saggittor, a família do Chanceler, que mantém a paz, e Perry Rhodan, o novo amigo de Aurec e de todos saggittonenses.

Como você sabe...? — perguntou Dolphus com espanto.

Eu sei muitas coisas. Coincidentemente, Perry Rhodan também é meu inimigo. Por isso, proponho fazermos isso juntos.

Dolphus se recompôs. Ele abotoou o uniforme.

Qual é seu plano?

Você me concede completa liberdade de ação e eu cuido de Rhodan e Doroc — disse o ser vermelho.

Quais são os detalhes do plano?

Rodrom atravessou a sala. — Você vai descobrir em breve. Selecione seus dez melhores homens e os leve para a floresta, onde você caçava com seu pai quando criança. Lá também vamos nos encontrar e então você vai conhecer os detalhes do meu plano. E... — o Vermelho fez uma breve pausa... — eles devem levar um sistema de monitoramento portátil.

Rodrom se dissolveu em uma névoa vermelha. Dolphus primeiro pensou em uma alucinação, mas a aparência tinha sido muito real. Ele mandou seu assessor, que era pessoalmente comprometido com ele, a seguir com dez soldados de elite para a floresta.

Dolphus lembrava bem do acampamento e do trono. Ele tinha ficado muito orgulhoso quando tinha matado seus primeiros veados.

Ele voou com um planador porque não queria nenhuma testemunha. Ele via o surgimento de Rodrom como um sinal do destino. Embora ele ainda não confiasse no ser estranho. Parecia estranho que alguém fizesse algo voluntariamente por ele. Perry Rhodan tinha de ser um adversário realmente perigoso.

 

***

 

O planador alcançou a floresta, diante da qual estavam dez soldados saggittonenses musculosos. Eles estavam armados até os dentes. Seu ajudante pessoal estava junto deles.

Meu almirante!

Ele bateu o punho em seu peito.

Dolphus levantou brevemente o braço. — Estes são nossos melhores homens? — ele perguntou.

Sim, meu almirante. Eles venceram até agora todas as simulações de treinamento. Nós os usamos principalmente para combater a criminalidade.

O que mais resta para se lutar contra! — Dolphus observou melancolicamente.

Neste momento apareceu Rodrom.

Bem, vejo que você selecionou seus homens. Eles devem ir para a floresta e lutar contra cinco dos meus homens.

O assessor ficou sem palavras. — Almirante, quem é esse? — ele perguntou.

Isso não lhe interessa! — Dolphus retorquiu. — Execute sua ordem. Penetrar na floresta e eliminar cinco alienígenas!

Sim! — Gritaram os dez simultaneamente e invadiram a floresta.

Deixando para trás Rodrom, Dolphus e seu ajudante.

Isso vai ser fácil para nossos homens! — ponderou o oficial.

Eles ouviram gritos na floresta. O jovem oficial levantou a mão. Sobre ela havia um holograma onde acompanharam a luta, filmada por várias câmeras flutuantes na floresta.

Na projeção, eles viram um dos soldados penetrar entre os arbustos com uma faca. No momento seguinte, ele foi pego por uma garra verde que saiu dos arbustos. Uma longa faca vibratória perfurou seu peito. Uma segunda garra apareceu e os dois braços agarraram a cabeça do soldado ferido e a virou. Houve um estalo alto. O sangue fluiu da boca do saggittonense morto. O assassino saiu dos arbustos — era um reptiliano.

A câmera mudou para a próxima batalha. Diante de uma árvore estava um humanoide com um anel de cabelos vermelhos. Um dos lutadores o avistou e puxou uma faca. Ele correu gritando em direção a ele. O lare se inclinou contra a árvore. Cerca de cinco metros antes de o saggittonense atingir o lare, ele pisou em uma mina. A explosão rasgou o corpo. Os ossos se espalhavam por vários metros.

Novamente a câmera robô seguiu outro soldado.

O lutador atingiu uma árvore. Outro soldado da sua força de combate se juntara a ele. Ele tirou uma faca vibratória e perfurou o outro no pescoço. Em seguida, o soldado se transformou em um tronco de árvore.

Dois outros soldados foram mortos brutalmente por hauris. Em seguida, a ligação com a câmera desapareceu. Os quatro lutadores de Rodrom trouxeram os restos de seis soldados da floresta e os jogaram na frente de Dolphus. O assessor teve que vomitar.

Impressionante. Estou impressionado com esta demonstração de força. Você é realmente um ser muito poderoso, Rodrom! — Dolphus reconheceu. — Mas ainda estão faltando quatro do meu povo e um do seu.

Ele ouviu um pisotear alto. Seus olhos se arregalaram com a visão do gigante com três olhos vermelhos e quatro braços. Ele trazia os corpos esmagados de quatro soldados e os jogou junto com os outros seis.

Eu acho que chegaram — disse Rodrom.

Dolphus assentiu com admiração.

O oficial se recompôs. — Foi assassinato a sangue frio. Eu tenho que dizer!

Não, você não tem! — retrucou o almirante.

Ele tirou seu radiador e atirou no oficial.

Podemos ver agora os detalhes de seu plano?

Meus soldados vão matar a família do Chanceler e fazer com que Perry Rhodan pareça o responsável. Vamos fazer ele e a LONDON desaparecerem. Então você pode tomar o poder em Saggittor.

Dolphus refletiu. Havia planos de emergência. Ele teria de informar alguns de seus companheiros na política. Claro, ele empurraria a culpa nos estranhos.

Excelente. Sei também de um momento conveniente. Doroc embarcará em breve para a lua Ilton no sistema vizinho. Ele pretende participar da caçada aos fanzis. Ele estará a maior parte do tempo sem ser vigiado, com sua família e criados em uma casa de campo ao lado de uma lagoa, atirando nos fanzis com paralisador. Ele vai voar para lá em vinte diats.

Dolphus dava a impressão de também estar pensativo.

Mas como poderemos plausivelmente demonstrar que Perry Rhodan estará envolvido no assassinato?

Rodrom fez um sinal para um DM. Este deformou seu rosto e corpo. Quando a conversão ficou completa, estava a forma de Rhodan diante dele.

Dolphus ficou novamente fascinado e riu. — Saggittor será minha em breve!

Rodrom assentiu com satisfação. — Assim seja. O destino de Doroc está selado e está aberta a caçada por Perry Rhodan!

***

 

Doroc convidou Perry e a LONDON para acompanhar sua família até Ilton. Arno Gaton sugeriu que Doroc deveria voar para a lua na LONDON. Este concordou.

Dolphus foi totalmente contra. Embora ele tivesse protestado ruidosamente, Doroc e sua família o rechaçaram. No entanto, Dolphus insistiu em ficar, como medida de segurança, no sistema com a SAGRITON.

 

***

 

Gaton ficou feliz novamente quando entrou na LONDON. Ele tinha aberto uma nova fonte de dinheiro depois de um terrível desastre. Doroc e as mais poderosas corporações das nações de Saggittor já tinham assinado várias concessões comerciais. Gaton já estava planejando lançar uma caravana comercial para Saggittor. Além disso, ele queria transformar a LONDON em uma série de naves, de modo a ter uma ligação permanente de longa distância.

Ele se sentou com Orbanashol e James Holling em uma mesa e saboreou uma taça de vurguzz.

Parece que a viagem ainda vai ser um sucesso completo — sorriu o porta-voz da Hansa. — James, você limpou as cabines de Dannos?

Sim, eu fiz. A família do Chanceler pode ficar lá durante a viagem.

Gaton riu. — Voamos um pouco mais lentamente, de modo que o voo vai levar um dia. Então Doroc, Aurec e os outros terão uma impressão melhor da LONDON.

Attakus se levantou. — Por favor, desculpe, mas tenho de fazer algo urgente — disse ele e saiu da sala com Zhart.

Ele tinha cara de provavelmente ter problemas com a pequena Rosan. Bem, para mim não importa. Saúde! — Gaton disse contente.

 

***

 

Zhart e Attakus entraram no bloco das prisões.

Eles encontraram Prollig, que os impediu de prosseguirem. — O que vocês querem aqui? — ele perguntou.

Nós queremos falar com este hasprone — Attakus respondeu.

Sinto muito, mas ninguém pode falar com os prisioneiros. Ordens do comandante.

Attakus assentiu. — Mas eu acho que você poderia fazer uma exceção para nós, certo?

Zhart puxou a carteira e tirou 20.000 galax. Prollig olhou para o dinheiro. Ele passou a mão pela boca. Então ele pegou o dinheiro.

Mas só dez minutos, senão posso perder minha cabeça.

Os dois continuaram. Todos os dependentes de Dannos estavam alojados nas celas. Não eram realmente celas, mas depósitos e armazéns convertidos.

Zhart encontrou a sala onde estavam Herban e Hiretta Livilan Arkyl. A sala não tinha porta, mas era protegida por um campo energético.

Eu preciso falar com você — exigiu Attakus.

O pequeno hasprone se aproximou.

Sobre o quê?

Sobre seu cúmplice Wyll Nordment!

Arkyl olhou para ele com surpresa. — Nordment não pertence a nós. Pelo contrário, ele mesmo matou Tett Chowfor.

Isso era parte do plano de Dannos. Se algo desse errado, o que de fato aconteceu, Wyll deveria libertá-los. Mas você e sua esposa não puderam ser resgatados. Você decide se quer confessar e falar sobre Wyll Nordment. O agente de segurança Prollig registrará tudo.

Herban Livilan Arkyl pensou por um momento. — Eu entendo, mas o que eu e Hiretta podemos esperar?

Bem, circunstâncias atenuantes — respondeu Zhart. — Nenhum tribunal da LTL condenaria você e sua esposa a uma longa pena de prisão depois que vocês nos ajudarem.

Quem sabe, talvez, vocês possam até mesmo voltar para Árcon e, assim, fugir das garras da LTL — disse Attakus.

Herban retirou-se e discutiu a situação com sua esposa. Depois ele se virou para os dois arcônidas.

Tudo bem, vamos fazer...

Attakus sorriu. — Muito bom, Prollig, volte para seu escritório. Eu acho que posso esperar isso pelo que paguei.

Dedique-se a prender alguém — Zhart disse, divertido.

  1. Capítulo 7 

A campanha de Rodrom

 

A LONDON foi novamente preparada. O chefe de máquinas Alex Moindrew tinha as mãos cheias, porque a sintrônica ainda estava infestada pelo vírus desconhecido. Ele mesmo já tinha falado com o hasprone Herban Livilan Arkyl, mas ele também não sabia nada. Embora o hasprone soubesse como agia o vírus, ele não o tinha desenvolvido. A organização até então desconhecida, chamada MORDRED era a responsável, que aparentemente fornecer aos filhos das fontes de matéria os meios necessários para o sequestro.

A tripulação não teria escolha a não ser prestar atenção aos erros da sintrônica.

Holling propôs pedir ajuda aos saggittonenses, mas Gaton recusou. Ele queria se apresentar aos saggittonenses como o dono da situação e não como um suplicante. Holling teve de aceitar este ponto de vista. Mas sempre havia problemas com a localização de curta distância. O cálculo para os saltos pelo hiperespaço ainda funcionava, mas assim que a espaçonave voava com velocidade subluz havia complicações graves. Holling resolveu essa dificuldade construindo um observatório com vários telescópios spartac, tanto na proa quanto na popa. Dois homens da tripulação ficavam lá e tentavam substituir a localização de curto alcance.

Mas esta possibilidade não era particularmente confiável, porque a análise dos telescópios requeria muito tempo. A LONDON tinha de diminuir a velocidade para se orientar. Além disso, os benefícios dos dados adquiridos eram muito limitados, porque, com o aumento da distância, os dados ficavam ultrapassados cada vez mais. No entanto Holling não tinha escolha senão essa ação paliativa.

Arno Gaton deu as boas-vindas para Doroc e sua família. Ele lhes mostrou seus alojamentos e também os convidou para a central de comando.

Os saggittonenses tinham trazido apenas uma pequena escolta. Não havia ataques terroristas em Saggittor, pois a resolução pacífica dos conflitos era amplamente aceita por todos os povos. Para os padrões galácticos, isso era bastante incomum, pois os galácticos estiveram nas últimas décadas na situação em que agentes, assassinos e terroristas pululavam por todos os lados.

Este sentimento de medo aparentemente não existia em M-64.

Wyll e Rosan estavam no convés. Eles tentavam sair do caminho de Orbanashol. Wyll notou seu rosto triste.

O que você tem? — ele perguntou.

Ela olhou para ele. — Realmente nada. Pelo contrário, sinto-me livre pela primeira vez na vida. E eu lhe devo isso, Wyll Nordment.

Ela o beijou apaixonadamente.

Estou de coração partido por ter de interromper esse ato, mas gostaria que o Serviço de Segurança falasse com seu essoya — ela ouviu uma voz dizer.

Quando ela olhou ao redor, viu Attakus, Zhart e o chefe de segurança Prollig. Esse colocou algemas energéticas em Wyll.

O que é isso? — perguntou Nordment.

Sinto muito, rapaz. Desta vez você foi longe demais. Eu o prendo por causa da sua cooperação com os filhos da fonte de matéria — disse Prollig.

O quê? Você está louco?

Rosan olhou para ele, horrorizada.

Attakus se virou para ela. — Ele combinou com Dannos de ficar encoberto e de libertá-lo em caso de emergência. Tiramos isso dos dois hasprones. Você sabe que Zhart tem bons métodos. Nordment teria libertado os filhos da fonte de matéria nos próximos dias. E você provavelmente lhe daria um bom álibi. Em uma Orbanashol se pode confiar. Portanto, ele a teria usado e nos separaria, Rosan!

Ela olhou para Wyll.

Não acredite em nem uma única palavra. São mentiras. Eles fazem isso apenas para nos separar! — Nordment implorou para Rosan.

Basta, venha comigo! — exigiu Prollig energicamente e arrastou Wyll com ele.

Rosan, não acredite nisso!

Attakus colocou o braço em torno do ombro dela.

Você não deve fazer isso. Venha comigo. Sua mãe quer vê-la novamente.

Rosan foi com ele. Ela não sabia em quem devia acreditar. Ela estava em um conflito de consciência. Por um lado, ela amava Wyll e lhe devia muito, e ela conhecia a natureza mentirosa de Attakus, mas ela talvez estivesse errada sobre ele? Ela precisava de tempo para processar essa acusação.

 

***

 

A LONDON partiu como planejado. No dia seguinte a espaçonave alcançou o planeta do sistema vizinho. Era um mundo natural, onde apenas tinha sido construída uma pequena pista de pouso para escaleres e o pavilhão de caça do Chanceler.

Aurec e Rhodan preferiram não participar da caçada. Aurec chamou Perry para uma entrevista pessoal. Ambos andavam ao longo da floresta. O saggittonense queria saber sobre as mulheres terranas e esclareceu para o portador de ativador celular que ele provavelmente estava apaixonado por Shel Norkat.

 

***

 

Doroc estava com dois servos, dois guardas, sua esposa e dois filhos em uma lagoa. A mulher de Doroc estava sentada em uma cadeira e lia um livro. Baahl e Vespiora jogavam um jogo de salão.

Doroc mandou espantar os fanzis para fora das árvores e disparou contra eles. Um dos seres plumados foi envolvido por um feixe azul e caiu no chão.

Oh, vocês viram isso? — perguntou o feliz Doroc para seus servos e família.

Ele pegou o animal paralisado e o entregou aos seus servos.

Aqui, despertem-no de novo — disse ele.

Em seguida, ele mirou no próximo fanzi e disparou. Mas desta vez ele errou.

Enquanto isso, um servo dava comida e bebida para a esposa e filhos de Doroc.

 

***

 

A dois quilômetros de distância, em um pequeno vale, aterrou uma espaçonave de 100 metros. A espaçonave orgânica abriu e cinco seres saíram. Eram os assassinos de Rodrom.

Muito bem, a SAGRITON não nos notou — constatou Glyudor, o DM.

Não, eles nos deixaram passar. Dolphus manteve sua palavra — corrigiu Melsos Berool.

Ele fez um sinal para o Gys-Voolbeerah. Este assumiu a aparência de Rhodan.

Com isso não haverá nenhuma dúvida sobre quem vai extinguir a família do Chanceler — disse Berool. — Vamos começar a trabalhar!

Eles se sentaram sobre os ombros do condicionado em segundo grau e se deixaram levar para o alojamento de caça.

Os dois guardas estavam patrulhando na entrada. Scardohn e Itzakk rastejaram de ambos os lados e mataram um dos soldados em silêncio. O outro, eles só feriram, para que ele pudesse relatar. Não deveria haver nenhuma dúvida de que Perry Rhodan era o assassino da família do Chanceler.

Dolphus tinha desativado as poucas salvaguardas, até as câmeras de vigilância, para que a evidência mais tarde fosse toda contra o suposto Perry Rhodan.

Os assassinos rastejaram para a lagoa onde Doroc se divertia atirando contra os fanzis. Ele ria como um garotinho. Um dos animais atingidos caiu em um conduto energético que corria sobre a superfície ao longo da lagoa. Ela corria dentro de um canal de metal, de modo que o impacto provavelmente mataria o animal. Doroc fez uma cara triste.

Oh, meu pobre fanzi — ele resmungou com voz chorosa.

Doroc mandou um funcionário cuidar do fanzi. Quando o servo chegou ao conduto, foi confrontado por um hauri e um pteru1. Do outro lado vinha Berool, Thorn e Glyudor. Itzakk matou o servo com um golpe Upanishad. Scardohn puxou a faca vibratória e correu para a família.

Doroc estava de pé com os outros agentes, ainda perto da lagoa e não sabia o que deveria fazer. Glyudor pegou um radiador e disparou no segundo servo.

O lare e o condicionado em segundo grau caminharam lentamente em direção a Doroc. Glyudor segurou sua esposa e Scardohn e Itzakk ficaram diante das crianças.

O que vocês pretendem? — perguntou Doroc.

Esta é a sua execução — o lare respondeu friamente.

Os mercenários foram rápidos com a família. A mãe, a irmã e o irmão de Aurec perderam suas vidas em poucos segundos.

Os cinco lutadores se reuniram em torno de Doroc, que apontava trêmulo o paralisador para eles. Berool tirou a arma de sua mão.

Agora é você — ele disse com um largo sorriso.

Scardohn puxou a faca. O lare a virou. Glyudor veio na forma de Rhodan para ele.

Mas, Perry, o que você está fazendo? Eu pensei que éramos amigos — Doroc gaguejou em surpresa.

O DM apenas riu.

Com um pouco mais de estilo, meu amigo hauri — disse o lare.

Berool pegou o pato morto. Itzakk e Glyudor seguraram Doroc.

Não, não... — ele lamentou.

Você ama tanto seus fanzis. Aqui vai ele!

Berool pegou o animal e o enfiou no pescoço do Chanceler. Doroc engasgou com o animal.

Os lutadores de Rodrom deixaram o local do horror. Deixando para trás os corpos da família do Chanceler.

  1. Capítulo 8 

Vida destruída

 

Aurec e Rhodan ouviram os gritos e correram de volta imediatamente. Eram cerca de dois quilômetros de distância, por isso demoraram cerca de dez minutos para cruzarem a floresta. Pouco antes de chegarem à lagoa, uma espaçonave voou sobre suas cabeças.

Rhodan parou confuso e observou a espaçonave. Ele a reconheceu imediatamente. Este tipo de espaçonave ele nunca conseguiria esquecer em sua vida. Essas naves trouxeram muito sofrimento para sua casa.

Um dolan.

Ele se lembrou dos duplamente condicionados que tinham então levado o Império Solar à beira do abismo.

Mas hoje em dia realmente não mais havia nenhum dolan.

Aurec pediu para Perry continuar. Quando chegaram à piscina, ambos ficaram profundamente abalados. Aurec correu para os corpos de sua família e os abraçou, chorando.

Rhodan tentava consolar Aurec quando viu alguns veículos saggittonenses pousando. Uma guarnição de soldados correu para fora dos escaleres. Eles eram liderados por Dolphus.

Lá estão os traidores e assassinos da família do Chanceler. Matem-nos — Rhodan ouviu-o gritar.

Aurec se levantou e foi ao encontro deles, mas os soldados atiraram nele. Aurec não conseguia entender o que estava acontecendo. Rhodan puxou-o rapidamente para longe.

Venha, temos de sair daqui.

Ambos correram para a floresta, seguidos pelos soldados.

***

 

Dolphus olhou para os corpos.

Aquele era Perry Rhodan — disse um oficial. — Um dos guardas no portão da frente sobreviveu. Ele informou que um terrano e três outras criaturas o atacaram. Um deles era Perry Rhodan!

Eu sabia que não se pode confiar nestes extraterrestres. Eles devem ter influenciado Aurec. Tudo era um plano bem ponderado de Rhodan. Isso é uma invasão! A SAGRITON deve varrer a LONDON do Universo!

Dolphus exultou. Agora tinha chegado a sua hora. Ele informou ao ministro e explicou a situação para uma emergência nacional. Os políticos completamente chocados estavam relutantes, mas os camaradas de Dolphus exigiram uma tomada de decisão. Finalmente, eles cederam a Dolphus: enquanto houvesse guerra haveria um único governante e o nomearam como Chanceler interino. Assim, a conspiração do almirante triunfou completamente. Ele não pretendia deixar o poder nunca mais. A era de sua família havia chegado. Ele levaria Saggittor a novas alturas, porque de agora em diante ele era o senhor de Saggittor.

  1. Capítulo 9 

A caçada começa

 

Abaixo há algo acontecendo — gritou o primeiro-oficial Evan Rudocc. — Muitos ônibus espaciais pousam no planeta.

Holling estava sentado em uma mesa e bebia uma xícara de chá. Ele levantou-se e olhou para o holo que mostrava sete escaleres que pousavam no planeta. Sam caminhou para o centro de comando e também partilhou sua preocupação com essas atividades.

Sparks, por favor entre em contato via rádio com a SAGRITON — ordenou Holling.

O operador de rádio seguiu a instrução. O rosto de um oficial saggittonense apareceu.

O que aconteceu? — perguntou Sam.

O oficial respondeu: — Isso você mesmo devia saber mais precisamente, seu assassino traiçoeiro!

Sam Holling e não conseguia esconder seu espanto.

O que você quer dizer? — Sam perguntou.

O oficial interrompeu a ligação de rádio e depois se virou secamente.

Então ele disse: — A família do Chanceler foi morta por Perry Rhodan e quatro outros. O almirante Dolphus assumiu o comando. Ele mandou destruir a LONDON.

A ligação foi encerrada.

Ligar campos defensivos! — decidiu Holling, que parecia preocupado para o somerense.

Este fez uma varredura do planeta. — O sensor funciona ao menos parcialmente. Lá embaixo dois seres correm de uma multidão. Podem ser Perry e Aurec. Temos que buscá-los.

Impossível — Holling retorquiu.

Sem Rhodan e Aurec estamos perdidos. Apenas Aurec pode trazer os saggittonenses à razão. Parece ter sido uma conspiração sofisticada. Eu aposto neste Dolphus. Prepare o space-jet, eu vou tirá-los de lá.

 

***

 

O space-jet ficou pronto em cinco minutos. O somerense entrou e partiu imediatamente. O space-jet voou através de uma abertura no campo defensivo. Alguns caças da SAGRITON assumiram a perseguição e atiraram nele.

Sam fez hábeis manobras evasivas e mergulhou na atmosfera. Ele manobrou o jet em zigue-zague por entre as nuvens. Os caças perderam a pista rapidamente. O somerense localizou os dois fugitivos. Cerca de 40 soldados os perseguiam. Sam também localizou tanques e planadores. Rhodan e Aurec, que ele havia identificado agora além de qualquer dúvida, não tinham nenhuma chance sem ajuda.

Sam levou o jet sobre a floresta, sempre descendo. Quando estava sobre Aurec e Rhodan, ele freou com tudo e pairou alguns centímetros acima da relva da clareira onde estavam Rhodan e o saggittonense. Eles correram para a pequena espaçonave espacial estacionária e saltaram através da eclusa aberta. Mal Sam fechou a escotilha novamente, disparou o jet para o céu. Os tanques atiraram, mas as rajadas das armas de radiação erraram o alvo.

Rhodan olhou espantado para o somerense.

Eu não sabia que você podia voar assim.

Eu guardo um monte de surpresas — disse ele. — Eu fui cadete da academia espacial de Som.

O space-jet foi abalado quando alguns caças o atingiram com tiros energéticos.

A SAGRITON se aproximara da LONDON, mas ainda não disparava.

Da direita veio um enorme asteroide em direção ao planeta. Mas este asteroide tinha forma amoldada. Ele também tinha um curso estranho.

Sam dirigiu a espaçonave por uma fenda estrutural da LONDON e entrou no hangar.

Nós conseguimos.

No caminho para a central de comando, Rhodan contou o que acontecera no planeta.

Aurec ainda estava em choque. Nem Shel, que euforicamente passou os braços em volta do seu pescoço, não conseguiu animá-lo. Essas foram as piores horas na vida do jovem saggittonense.

Os caças voaram de volta para a SAGRITON, que também se afastava da LONDON.

Por que eles estão se retirando? — perguntou Rhodan.

Ele teve a resposta imediatamente. O asteroide era uma espaçonave. Quanto mais perto ele ficava, mais claramente se podiam ver as cabeças de projeção dos canhões e dos campos de projeção na superfície acidentada.

Oh, meu Deus! — ouviu-se Holling dizer baixinho.

Da espaçonave veio uma parede cinzenta de névoa, que atingiu a LONDON e por fim a envolveu.

Rhodan perdeu a consciência.

A espaçonave sobrevoou a névoa que envolvia a LONDON. Depois de alguns minutos, a névoa se dissolvido e a LONDON tinha desaparecido.

***

 

Dolphus olhou para o espetáculo de uma pequena estação em Ilton. Rodrom apareceu pouco tempo depois.

Bem, Dolphus, Saggittor pertence a você.

Sim, meu Saggittor! Agora, em breve, serei o Chanceler da galáxia! — disse o saggittonense com a voz trêmula.

Diga que a SAGRITON destruiu a LONDON e não há sobreviventes — ordenou Rodrom. — Também o aconselho a nunca investigar o centro de Saggittor.

Rodrom desapareceu.

Dolphus não sabia exatamente quem era Rodrom, mas ele lhe tinha dado o poder.

Ele fez um discurso e declarou-se o novo Chanceler de Saggittor. Ele terminou seu discurso com as seguintes palavras: O povo saggittonense vai se vingar pelo assassinato de nosso amado Chanceler. Sabemos as coordenadas da galáxia de terranos e arcônidas. Vamos equipar e mobilizar nossas frotas e então atacar esta galáxia. Temos que dar este passo difícil. Saggittor será defendida na Via Láctea. A comunidade galáctica de Saggittor não vai assistir impassível aos malfeitos destes estranhos. O governo me nomeou Chanceler interino. E eu não vou decepcionar Saggittor!

  1. Capítulo 10 

No universo paralelo

Retrospecto

Janeiro de 1201 NCG

 

— Eu o ouço — disse uma voz triste. — Eu não posso voltar. Eu vejo a TARFALA como uma sombra. Eu também vejo a dobra espaço-tempo. E o nosso universo. Eu vejo tudo, a força em mim e todos os níveis futuros concebíveis. Adeus! Desejo-lhe sorte. A dobra espaço-tempo está muito próxima. Paunaro deve ser capaz de encontrá-la. Ela se tornou frágil. Você pode...

Essas foram as últimas palavras que ele conseguiu enviar para seus amigos. Então ele perdeu contato com o mundo real. Tudo ficou escuro em torno dele. Ele sentiu que o frio que o envolvia.

Era a morte?”, ele se perguntou em pensamento. Com toda a força, ele tentou entrar de novo em contato com sua realidade. Mas não adiantou. Talvez nunca mais houvesse esperança de ele encontrar seus amigos na TARFALA.

Ele ainda não podia acreditar que o aparecimento de seu paraego fizera sua estrutura se dissolver na sua realidade. No universo paralelo, ambos os Rhodans puderam ainda coexistir, sem a dissolução de um deles. Talvez as circunstâncias fossem diferentes. Talvez as emissões e as flutuações na dobra do espaço-tempo causassem este efeito. Ou seu Ki pervertido fosse o responsável.

O fato era que apenas um “eu” poderia existir na realidade. Como seu paraego era mais forte do que ele, ele desapareceu. Mesmo que o paraego voltasse para o outro plano de existência, o processo era imparável.

Ele nunca teria sonhado com um fim assim. Mas ele ainda não estava morto. A primeira tarefa era sondar onde estava. Ele fora pego em outro paramundo ou pararrealidade? Seu corpo definitivamente já não era mais material. Ele flutuava através de uma nuvem azul. Por trás disso era um nada cinza.

O pararrealista se sentia perdido e com medo, mas ele se recompôs. Decidiu continuar a flutuar. Finalmente o terrano descobriu uma luz verde. Corajosamente ele se dirigiu para lá. A fluorescência verde foi ficando cada vez maior. Ela cercou o pararrealista. Ele perdeu a consciência.

 

***

 

Quando acordou, ele sentiu dor por todo meu corpo.

Ele sentiu dor no corpo?

Ele sentia seu corpo novamente!

Lentamente o japonês abriu os olhos. Ele olhou ao redor e suprimiu seu medo. Ele estava deitado sobre uma plataforma de madeira. A casa onde ele estava parecia familiar. Era uma cabana de madeira. Em uma mesa ao lado da cama havia algo para beber e algumas frutas. Ele hesitou em comer, mesmo que sentisse muita fome.

Vá com calma, meu amigo! — disse uma voz amigável.

Ele conhecia esta voz!

Embuscade! — ele admitiu calmamente por si mesmo.

O pararrealista levantou-se e olhou para o paraego. Os contornos não eram mais distorcidos. O rosto de Embuscade era reconhecido exatamente. Ele estava sobre ele.

Ele se lembrou de como ele tinha encontrado seu homólogo pela primeira vez. Naquela época ele tinha tentado usar seu Ki para livrar a TARFALA de novo de uma dobra espaço-tempo, mas seu Ki fora pervertido, provavelmente por meio da intervenção de Sinta. Isso só piorara as coisas e ele caiu em um paramundo em que ficou preso. Lá ele conhecera Embuscade. Como se viu depois, Embuscade era seu paraego.

Quando ambos já tinham retornado ao seu mundo real, ele começara a desaparecer e Embuscade a se estabilizar em seu contínuo. Ele perdera sua existência material e, finalmente, desaparecera de sua realidade. Mas agora ele encontrou Embuscade de novo.

Você não deve mais me chamar de Embuscade — disse seu outro eu, divertido.

O pararrealista ficou confuso. — Como então devo chamá-lo?

Preferencialmente de Sato Ambush!

  1. Capítulo 11 

Onde e quando?

 

Perry Rhodan acordou. Ele sentiu uma dor aguda na cabeça. Tonturas e uma ligeira náusea o derrubaram, mas ele se recompôs. Rhodan ainda estava no centro de comando. O terrano relembrou mais uma vez os últimos momentos.

Rhodan lembrava-se desta espaçonave espacial semelhante a um asteroide. Ele duvidava que esse objeto estranho fosse saggittonense. Ele também se lembrava de ter visto um dolan no mundo natal de Doroc. Os dolans eram considerados destruídos. Como poderia, então, surgir um na distante galáxia Saggittor?

Um robô médico interrompeu os pensamentos de Rhodan. Ele perguntou sobre o bem-estar do terrano. Rhodan respondeu secamente que estava bem.

Ele tentou mais uma vez determinar onde estavam. Mas o rastreador continuava a funcionar mal e apresentava uma imagem completamente inútil dos arredores.

Ele se resignou logo e, em seguida, procurou os oficiais na central de comando. Mas esta tentativa também fracassou. Rudocc, Sparks, Maskott, Moindrew e Holling continuavam inconscientes. Somente o chefe substituto da segurança tinha acordado. Uto Lichtern assumira, junto com o operador de rastreamento Garl Spechdt, a navegação da LONDON.

Rhodan mandou o robô médico levar as pessoas para seus aposentos e cuidar delas lá.

Ele procurou o somerense Sam e o saggittonense Aurec. Eles estavam inconscientes. Junto com um droide médico, ele conseguiu acordar novamente os dois.

É bom que, pelo menos, vocês estão despertando do reino dos sonhos — disse Rhodan com um sorriso amigável.

O que aconteceu? — perguntou Aurec.

Não faço ideia, meu amigo. Esta espaçonave cavilha nos envolveu em uma estranha névoa, mas esta desapareceu. Mas uma coisa é certa, não estamos mais no sistema vizinho de Saggitton. A lua Ilton não pode ser vista em lugar nenhum.

Também Aurec e Sam sentiram uma dor de cabeça alucinante. Eles deixaram robôs injetarem medicamentos circulatórios neles.

Rhodan colocou o braço no ombro de Aurec.

Eu sinto muito pelo que aconteceu.

Aurec respirou fundo e olhou resolutamente para Rhodan.

Se Dolphus está por trás disso, ele vai pagar caro.

O saggittonense virou-se e observou cuidadosamente a projeção do fundo galáctico. De repente, ele estacou.

As constelações também são diferentes — disse ele.

Isso fez Rhodan também olhar para a projeção. Suas pálpebras se estreitaram. Ele pensou ter reconhecido algumas das constelações.

Isso não pode ser verdade — ele murmurou.

Em seguida, Perry foi para a estação de comando e tentou novamente ativar o localizador, mas, mais uma vez, o resultado foi inútil.

Maldita tecnologia! — Ele deixou escapar com raiva e deu um pontapé no console.

Ele chamou a sintrônica.

Aqui é o sistema de emergência da LONDON. O que posso fazer por você? — Perguntou a sintrônica com voz feminina.

Você pode calibrar de novo o rastreador?

Negativo, os programas dos rastreadores foram afetados por um vírus desconhecido. O reparo só é possível mediante a reprogramação completa.

Tudo bem. Então navegue para o próximo planeta habitável.

A LONDON acelerou. Ela passou por um cinturão de asteroides. Rhodan mandou a espaçonave parar. Ele decidiu ocultar a espaçonave dentro do campo de asteroides.

Os três despertos procuraram outros galácticos que não estivessem inconscientes. Eles encontraram cerca de vinte pessoas que poderiam ser despertadas. Incluindo Shel Norkat e Rosan Orbanashol. Também o funcionário da Caixa Galáctica, Ullryk Wakkner, estava consciente. Por outro lado, Gaton, Attakus Orbanashol e muitos outros estavam em estado de coma.

Os vinte galácticos se reuniram na estação de comando. Rhodan distribuiu as tarefas.

Nós ainda não verificamos o bloco da prisão — disse Rosan. Ela sabia que Wyll estava lá.

Junto com Aurec, Sam, Spechdt e Rosan, Rhodan entrou no bloco da prisão.

Os “filhos da fonte de matéria” estavam deitados no chão ou em suas camas. Eles estavam todos inconscientes, exceto um. Pai Dannos se levantou quando viu Rhodan.

Ironicamente, é ele que está acordado — Sam observou com amargura.

Rosan! — os quatro ouviram vindo do outro canto.

Rosan olhou em volta e viu Wyll. Ele também estava plenamente consciente. Ela chamou o seu nome e correu para ele.

Não, fique parada! — Wyll gritou.

Rosan parou abruptamente. Ela quase se esquecera do campo de força. Se o tivesse tocado, ela provavelmente teria sido paralisada.

Por favor, desligue o campo de força — ela implorou.

Prollig deve ter tido suas razões para ter detido Nordment — Spechdt se opôs. — Afinal de contas, supõe-se que ele era membro dos filhos da fonte de matéria.

Isso é um absurdo. Attakus inventou isso para me ter de volta — retrucou a arcônida.

Eu não sei — O chefe de localização duvidou.

Mas eu sei. Desligue o campo energético! — Rhodan ordenou.

Spechdt obedeceu. Agora estava claro para todos que Perry Rhodan tinha assumido o comando, pois ele era mais versado em situações perigosas devido à sua experiência.

Depois que o campo energético desvaneceu, Rosan correu para seu amante. Ela o abraçou e pediu desculpas por não ter confiado nele desde o início.

Wyll se informou com Rhodan sobre a situação atual.

É claro que você precisa de um bom navegador. Sou voluntário — declarou Wyll.

Rhodan imediatamente aceitou. Ele conhecia a habilidade de Wyll e confiava nele. Spechdt, por outro lado, era de pouca ajuda.

Quais são seus planos para mim, irmão Perry? — perguntou Dannos com voz calma.

Nenhum — Rhodan respondeu laconicamente. — Você fica aqui.

Dannos sorriu diabolicamente, depois se sentou de novo e começou a meditar.

Os outros voltaram para a ponte. Rhodan entregou para Wyll o comando da LONDON. Sua primeira tarefa era chegar a um planeta. A espaçonave deixou o cinturão de asteroides.

Rhodan olhou para o sol amarelo do sistema. Ele conhecia este sol. Ele precisava apenas de uma confirmação de sua teoria.

Chegamos a um planeta vermelho — comunicou Wyll.

O rastreador ainda não funciona — relatou Spechdt. — Eu vou enviar uma sonda.

 

***

 

A sonda foi ejetada da LONDON e atingiu a órbita do planeta em questão de minutos. Os dados foram transmitidos para a LONDON. Rhodan olhou as imagens transmitidas. A paisagem do deserto vermelho era muito conhecida por ele.

Marte! — Ele comentou secamente.

Os outros olharam surpresos para ele. Eles pareciam incrédulos.

Este definitivamente é Marte — insistiu Rhodan. — A sonda pode tirar amostras de rocha e compará-las com os bancos de dados da LONDON, se vocês não acreditam em mim.

Rhodan apontou para algumas imagens apresentadas por um pequeno robô. Um satélite orbitava o Planeta Vermelho.

Sam levantou as mãos.

Claro que acredito em você. Isto significa que estamos no Arresum?

Rhodan sacudiu negativamente a cabeça. — Eu não acho que...

Seus olhos caíram sobre um pequeno robô localizado na superfície. Ele mandou a sonda ampliar a imagem. Finalmente a imagem do pequeno robô preencheu toda a superfície de projeção holográfica. Um logotipo era claramente visível na estrutura quadrada, que ele conseguia decifrar corretamente após uma breve pausa. Na língua de seu país natal, os Estados Unidos, uma palavra era claramente legível: Pathfinder.

  1. Capítulo 12 

A dualidade de um ego

 

Alguns anos antes...

Sato levou algum tempo para processar este comunicado.

Mas eu sou Sato Ambush, Embuscade! — Ele replicou.

Embuscade riu alto. Ele foi até a mesa e pegou um dos frutos. Com prazer, ele deu uma mordida.

Meu amigo, em certo sentido, você está morto, pelo menos no seu mundo — disse ele. — Você existe agora no meu mundo. E neste mundo eu sou Sato Ambush, portanto, você é apenas uma imitação de mim.

Estas palavras atingiram duramente o pararrealista. Ele se sentou e escondeu seu rosto entre as mãos. A resignação se espalhou nele.

Não precisa ficar deprimido, meu irmão. Sim, somos “irmãos” — Embuscade sorriu para ele.

Embora ele sempre fosse muito gentil e educado, algo nele não agradou a Sato. Sua imagem não era tão amigável quanto ele pretendia.

E o que devo fazer agora? — Ambush perguntou, perplexo.

Seu paraego sentou-se ao lado dele. Ele deu um gole prazeroso no suco de fruta.

Hum, eu acho que você pode me ajudar.

E como?

Explique-me qual poder se esconde atrás desse chip ativador celular!

Sato pensou por um momento, então contou para Embuscade sobre AQUILO e os portadores de ativador celular. Levou um bom tempo até que terminar a história, mas Embuscade ouviu atentamente. Ele parecia estar interessado em cada palavra.

Quando Sato terminou, seu parassemelhante disse: — Então, eu sou, portanto, relativamente imortal. Dito isto, eu sou poderoso.

Sato concordou. Mas, ele indicou que esse poder somente podia ser usado para o bem.

Não se preocupe, irmão. Vou usar o poder positivo para mim — explicou sua imagem relativamente imortal.

Sato não gostou do tom desta declaração, mas decidiu, por enquanto, confiar em sua própria imagem. Mas ele também não tinha escolha, porque estava preso nesta sua realidade estranha.

 

***

 

Mais alguns anos se passaram. Sato não sabia exatamente quantos. Um dia era igual ao outro. Ele passou seu tempo meditando, tentando recuperar o controle de seu Ki. Muitas vezes suas tentativas falharam. Mas o pequeno japonês não desistiu. Ele viveu o tempo todo na casa de campo e na área circundante.

No mundo de Embuscade não havia viagem espacial e nem tecnologia. Ele era um eremita, que Sato tinha de conduzir. Mas seus pensamentos estavam sempre com seus amigos, como Perry Rhodan, Gucky, Atlan ou Icho Tolot.

Em contraste, Embuscade havia mudado para pior ao longo dos anos. Talvez fosse o suposto poder que lhe dava a posse do ativador celular, mas talvez também fosse a verdadeira natureza de seu paraego, cada vez mais evidente.

Embuscade começou a se interessar por coisas tangíveis e físicas e, cada vez mais, perdeu o desejo de desenvolver seu Ki. Muitas vezes ele foi até outros paramundos e trouxe joias, hovalgônio e outros tesouros.

Ambush já nem sabia onde estava. Ele estava preso em sua própria pararrealidade ou vivia na travessia entre possíveis universos paralelos, formados pelo princípio da incerteza a partir do vácuo quântico? Se houvesse uma ligação com o Multiverso, uma fuga seria concebível, embora não muito realista.

Para onde ele deveria ir?

Sato pediu muitas vezes ao seu alter ego para poder ir junto, mas seu “irmão” recusou. Ele apontava repetidamente para o pararrealista o quanto ele era imperfeito e que ele vivia apenas pela sua graça.

Ambush não tinha forças para se rebelar. Ele se sentia muito inferior a Embuscade. Em última análise, este Sato Ambush tinha recebido um ativador celular, que a ele fora negado por AQUILO. Isso mostrava a verdade de sua própria imperfeição.

Sua contraparte também dominava o Ki muito melhor do que ele mesmo. Apesar de continuar sendo um negativo.

Um dia Sato quis falar com ele.

Irmão, eu tive uma ideia — disse ele.

O que você quer? — Embuscade respondeu pouco amigável para seu alter ego.

Você veio de outro universo. Na minha opinião, um universo paralelo, correto?

Eu sou isso? Ou sou um produto artificial de uma pararrealidade criada por você? Nós dois somos realmente loucos ou apenas criações de seu Ki? Ou talvez você seja apenas uma ilusão e um organismo criado por minha pararrealidade?

Responda você para mim. Estamos presos em nossa própria pararrealidade e só se pode escapar por meio de novas pseudorrealidades subordinadas ou então perdemos contato com o Universo? — Ambush quis saber.

Embuscade olhou surpreso para ele. — Quem é tão curioso? — ele perguntou, divertido.

Você me responde agora com uma pergunta? — Sato instou.

Embuscade oscilava em uma cadeira de balanço. Ele balançava para frente e para trás. Ele bebia um copo de vurguzz. Sato Ambush já tinha renunciado a qualquer álcool. As diferenças entre as duas criaturas se tornavam cada vez mais claras.

Bem — Embuscade começou hesitante. — Sua habilidade para criar suas próprias pararrealidades e para se mover nelas é instável e pouco confiável. Eu sei. Isso também aconteceu comigo. Um processo natural. Então eu fui em busca de outro paraego e me tornei um viajante através de universos paralelos.

Ambush sabia que seu interlocutor não estava certo.

Você não é uma invenção da minha busca pararreal?

Embuscade riu.

Não, não sou. Mas vou deixar você e todos os outros acreditarem que somos. Trata-se do mesmo princípio. Abrimos uma lacuna em uma passagem para um universo paralelo, enquanto vocês estavam ocupados criando uma pararrealidade para nós.

Lentamente Ambush começou a entender. A ligação entre os planos de existência de uma existência pararreal estava intimamente ligada aos universos paralelos de vários universos, como ele havia assumido.

O que aconteceu com seu universo original?

Embuscade hesitou antes de responder a esta pergunta.

Os imortais em meu universo paralelo não existem mais — disse ele.

O que aconteceu?

Bem, eles construíram um grande império, mas se desentenderam. Eles acabaram se matando. Eu acho que sou o último. Eu me retirei do universo, porque ele se tornou chato e perigoso. E procurei outro lugar para nós. O poder do pararrealismo e o dom de viajar entre os universos é limitado. Nossa força diminuiu. Mas eu encontrei uma maneira...

Ele começou a rir. Ele jogou fora o copo e começou a esvaziar a garrafa.

Mas o efeito do seu ativador celular não está vinculado ao seu universo particular?

Eu também pensei isso no início, mas não é assim. Em qualquer lugar eu sou relativamente imortal. Eu possuo este poder em qualquer lugar.

Ele balançou a garrafa.

Sato começou a desprezar este Embuscade. Embora ele fosse basicamente seu semelhante, na verdade era incrivelmente diferente. Sato era um amante da paz que queria ajudar os seres. Embuscade, por outro lado, era só aparência.

Aparentemente Embuscade, aliás Sato Ambush, também tinha sentido a instabilidade das habilidades de Ambush. Isso fez Sato pensar que Embuscade queria conhecê-lo.

Mas por quê?

Ah, vocês pensam no quão sem sentido são as coisas. Nós sabemos o que pensamos. Não somos todos Sato?

Embuscade se levantou de chofre.

Nós queremos explicar. A força psíquica do Ki desapareceu à medida que abríamos novas pararrealidades. Portanto, tivemos de recuperá-la. Nós nos procuramos e nos encontramos algumas vezes. Eu sou eu e ainda sou nós. Eles submergiram em nós, para que pudéssemos continuar a existir e ter suficiente força psíquica. Isso também vai acontecer com você. Você vai ficar conosco. E vai ser bem depressa!

Agora Sato Ambush entendeu. Embuscade era um caçador. Ele viajava através das pararrealidades criadas por seus vários paraegos nos universos paralelos correspondentes. Embuscade procurava outros Sato Ambush e parecia encontrar os melhores, ou talvez apenas tivesse acesso a eles caso houvessem criado uma pararrealidade. Assim, Embuscade o tinha arrancado de seu plano de existência e o raptado para seu universo.

E o objetivo era claro. Ele queria unir os dois paraegos, na esperança de absorver o restante de força psíquica do ego-irmão mais fraco.

Quantos outros Sato Ambush Embuscade já tinha em sua conta?

Ele não era nada mais do que um vampiro psi.

Basta de falatório. Temos coisas importantes a fazer. Não espere por nós — disse Embuscade e mergulhou, com a ajuda do Ki, em outra pararrealidade.

Sato usou o tempo para continuar trabalhando em seu Ki. Ele sabia que um dia chegaria a um confronto com sua imagem negativa; então ele tinha que estar preparado.

 

***

 

Embuscade veio depois de algumas horas, mas não estava sozinho. Ele trouxe duas mulheres consigo.

Sato foi capaz de identificar as mulheres como prováveis terranas. Elas estavam malvestidas e o pararrealista imaginou de onde Embuscade trouxe as mulheres.

Todos os três davam e impressão de estarem embriagados.

Hei, pequeno Sato! — balbuciou Embuscade que, apesar do chip ativador celular, obviamente estava sob a influência do álcool.

Sato se aproximou das três figuras.

Embuscade virou-se para as duas mulheres. — Esse é o nosso irmão mais novo, Pequeno Sato II.

Pequeno Sato II — que humilhação Embuscade causou!

Mas Sato se recompôs. — Senhoras — ele as cumprimentou brevemente, se curvando ao estilo japonês.

Oi! — As duas mulheres cuspiram simultaneamente.

Bem, agora você pode se recuperar. Temos de trabalhar... — Embuscade disse, divertido e foi com as duas mulheres de outra pararrealidade para seu quarto.

Sato trabalhou a noite toda em suas habilidades e, finalmente, conseguiu controlar seu Ki de novo. Ele ainda não se atrevia a mudar nada nas possíveis pararrealidades, mas sentia que logo seria capaz de fazer isso novamente.

Ele tinha de fugir de Embuscade. Talvez ele fosse prisioneiro da pararrealidade de Embuscade. Ele tinha de rompê-la. Mas então ele talvez continuasse preso em vários planos de existência ou mesmo no turbilhão do Multiverso.

Como ele poderia encontrar sua própria realidade?

 

***

Na noite seguinte, Embuscade “mergulhou” de novo. Desta vez, Sato decidiu segui-lo. Ele se concentrou e mergulhou em outro contínuo.

Deste contínuo, que era uma espécie de Multiverso, ele poderia invadir qualquer universo embutido e realidades alternativas. Seu Ki o ajudou. Até mesmo se blindar contra o choque de estranheza que ocorria quando se mudava para um universo paralelo.

No entanto, Sato ainda estava incerto se o mesmo efeito que ocorria em seu universo acontecia nos outros paramundos. Ele tinha medo de se dissolver em outro universo paralelo ao longo do tempo, tal como tinha feito em sua realidade.

Talvez tudo fosse apenas uma falácia, porque se ele estava em uma pararrealidade dominada por Embuscade e não havia como escapar. Ele, então, entraria apenas em uma pararrealidade separada, em outro universo, mas não na verdadeira realidade, qualquer que fosse ela. Ele tinha de testar os limites das pararrealidades diferentes.

Como pararrealista, Ambush via a realidade como puramente subjetiva, como uma das infinitas expressões possíveis de vários universos. Sob certas circunstâncias, tais como a ação de um campo psiônico, a realidade conhecida era substituída por uma forma que parecia irreal para os homens. Mas, para um pararrealista, esta realidade era bem real. Se conseguisse escapar da pararrealidade de Embuscade, ele poderia ser capaz de finalmente encontrar sua velha realidade.

 

***

 

Sato Ambush resolveu fazer uma tentativa. Ele sentiu seu “irmão” e o seguiu. Embuscade mergulhou no fluxo que o levou para um universo paralelo. Também Sato seguiu este fluxo, na esperança de que Embuscade não o notasse.

A transição para outro universo causou uma estranha sensação, que Sato não sentia há, pelo menos, uma década.

Ele materializou em um beco e estava usando seu quimono. O pararrealista olhou em volta.

Até agora, ele não podia dizer muito. Ele decidiu seguir em frente. A área era recoberta por arranha-céus. Mas eles pareciam muito pobres. Sato ouviu música. Ele olhou na direção de onde pensou tê-la ouvido. Lá alguns jovens de pele escura jogavam um jogo de bola que Sato pensou ser basquete. Assim, ele provavelmente estava na Terra. A única questão era — em que momento e em que realidade?

Sato caminhou pelas ruas, olhando para os homens. Ele não reconheceu nenhum sinal de que quaisquer extraterrestres estivessem presentes. A moda e os edifícios indicavam que esta devia ser uma Terra antes do tempo de Perry Rhodan. O bairro parecia pobre e decadente. Sato já tinha lido sobre essas favelas. Elas tinham sido assim até os anos setenta do século XX na Terra. Então, antes do tempo de Rhodan e da Terceira Potência.

Mas essas pessoas também não correspondiam às descrições de pessoas do século XX. Sato tinha lido muito sobre este tempo. Os anos 60 e início dos anos 70 eram considerados a “era hippie”. De alguma forma ele tinha imaginado os hippies, mas de forma diferente desta. Nos livros e arquivos de dados ele tinha lido sobre pessoas com camisas floridas e cabelos longos. Mas os afro-terranos se vestiam de forma diferente. Também as demais pessoas. Algumas correspondiam, de forma modificada, à moda dos anos 70.

Sato ainda estava distraído com seus pensamentos quando descobriu Embuscade. À sua semelhança, ele usava um SERUN e estava armado com um desintegrador leve.

Então ele disparou na janela de uma joalheria. A janela virou gás molecular. Embuscade ameaçou o proprietário e o obrigou a lhe dar todas as joias e pedras preciosas.

Sato ficou profundamente desgostoso por esta ação. Ele mesmo estava sempre pronto a obedecer às leis e a trabalhar para o bem da Humanidade. Mas Embuscade parecia explorar a sua força. Ele gostava de assediar as pessoas pobres.

Ambush tinha visto o suficiente. Ele decidiu voltar para o mundo de Embuscade.

Lá, ele esperou por algumas horas, até que seu “irmão” voltou. Embuscade ainda usava o SERUN e arrastava alguns sacos, que provavelmente continham o produto de seus roubos.

Sato ficou com os braços cruzados na frente de seu paragêmeo.

O que é isso?

Embuscade riu. — Então você está me seguindo — disse ele com um sorriso e acrescentou sarcasticamente: — Estou um pouco decepcionado com você. Eu tinha pensado que você recuperaria suas habilidades mais cedo. Isso só comprova sua inferioridade.

Sato sentiu estas palavras como alfinetadas. Novamente Embuscade tentava humilhá-lo e trazer sua superioridade à tona.

Estou cansado de suportar suas eternas humilhações! — disse Sato duramente.

E daí. Se eu não estivesse à sua espera, você provavelmente estaria encalhado em algum lugar e morreria no nada. Eu salvei sua vida. Sem mim você não é nada!

Ambush sabia que seu paraego basicamente tinha razão, mas isso não era desculpa para sua abordagem. Talvez ele também valorizasse demais seu paraego? Seria um enorme erro supor que ele caçava outros Sato Ambush. Sato não tinha prova disso.

A vida nas pararrealidades era capaz de afetar bastante a mente. Sato deveria tentar se entender com Embuscade. A violência de Embuscade talvez fosse apenas a triste expressão de sua agitação interna.

Sato caminhou em direção ao seu paraego-irmão.

Eu também lhe sou grato, Embuscade. Mas isso não justifica suas ações. Você não pode explorar seu poder — advertiu o pararrealista. — Mesmo que os portadores de ativador celular provavelmente tenham natureza negativa em seu universo, você não precisa agir dessa forma. O chip em seu ombro o obriga com algumas coisas. Você tem que respeitar a vida de todos os seres e defender seus direitos!

Embuscade fez uma cara triste. Ele enfiou seu rosto entre as mãos e chorou. Seu corpo tremia.

Sato agora sentia pena de seu “irmão”. Ele colocou seu braço em volta dele.

Está tudo bem — disse ele em voz baixa.

Embuscade começou a rir histericamente. — Errado! — ele gritou e gargalhou.

Sato desistiu internamente.

Não dou a mínima para essas coisas. Eu tenho o poder de mergulhar em diferentes realidades, universos e tempos; e para sempre. Eu sou como um deus. Por que não devo usar este poder?

Porque é errado.

Você diz. Mas vamos fazer uma sugestão. Eu quero que vocês compartilhem conosco. Os Sato de todos os universos paralelos não têm certeza. Nós e vocês podemos construir e destruir impérios estelares. Possuir todos os tesouros do Universo, até mesmo dobrá-los, e ter milhões de mulheres a nossos pés. Isso não seria uma grande vida?

Ambush balançou a cabeça. — Não é a vida a que eu aspiro.

O que você procura, então? — perguntou Embuscade.

Eu quero ir para casa. Voltar para minha realidade. E acredito que só você pode me ajudar — esclareceu o japonês.

Nós perdemos contato com sua realidade. Viemos aqui em seu lugar. Mesmo que o seu mundo pudesse ser encontrado em meio aos muitos universos paralelos, você não poderia se manifestar nele.

Mas eu também poderia manifestar-me em outro universo — disse Ambush. — Então por que não no meu universo?

Embuscade tirou seu SERUN.

Sua estranheza foi alterada. Os efeitos da dobra do espaço-tempo e as influências destes Sinta fizeram isso. Você se tornou um neutro para seu universo. Ele não pode te detectar corretamente. No entanto, isso não se aplica aos universos paralelos. Aplica-se para alguns, mas não para todos. Portanto, como vê, isso é impossível. Nós nunca vamos voltar.

Sato ficou profundamente decepcionado com esta declaração. Mas Embuscade estava certo. Era impossível. Ele estava preso neste mundo para sempre. Embora ele tivesse a oportunidade de “mergulhar” em alguns outros universos paralelos, não seria mesmo seu próprio universo. Mesmo se ele se refugiasse em uma pararrealidade, seria em vão. Ele nunca mais veria seus amigos. Embuscade estava certo, Sato tinha de se render ao seu destino.

 

***

Passaram-se mais alguns anos. Sato começou a envelhecer. Seu cabelo ficou branco. Ele desistiu de tentar entrar em seu antigo universo. Ele meditava muito e reforçava sua capacidade de controlar o Ki de novo.

Ambush só tentou mais algumas excursões e mergulhos em outros universos e realidades. Ele também evitou Embuscade. Muitas vezes eles brigaram, mas Embuscade mantinha Ambush repetidamente sob pressão.

O japonês estava sem rumo e deprimido.

Quando ele seguia para outros universos, geralmente era para o Japão antigo. Lá ele se sentia à vontade. Embora isso não fosse um consolo para a perda de seu mundo real.

Mais uma vez Embuscade partiu em uma aventura. Desta vez, ele trouxe uma mulher, como tantas outras vezes. Mas essa era diferente. Ela ainda não tinha dezoito anos. Ela era muito bonita e atraente, mas muito jovem.

Além disso, ela resistia. Ela tentava se afastar de Embuscade.

Sato caminhou até os dois.

Mais uma vez uma nova ninfa? — ele perguntou sarcasticamente.

Fique quieto — Embuscade gritou para ele. Ele pegou a garota pelo cabelo, levou-a para dentro da cabana e a jogou em sua cama.

Sato os seguiu. — Parece que ela não quer. Além disso, ela ainda é uma criança. Por favor, Embuscade, deixe-a ir!

Embuscade não lhe deu ouvidos. Ele tentou beijar a garota, mas ela o mordeu na mão. Ele bateu nela.

Quando ele quis continuar, Sato agarrou sua mão e impediu o segundo tapa. Embuscade o olhou irritado.

Como podemos ousar isso, seu desgraçado! — ele gritou. Ele formou do nada uma bola de energia psíquica, que atirou em sua própria imagem.

Sato foi atingido pela energia e jogado ao chão. Ele perdeu a consciência. Mas, no subconsciente, ele ouvia os gritos da menina.

Depois de algum tempo, Ambush acordou novamente. Os gritos haviam cessado. Ele se levantou e foi para o quarto de Embuscade. Lá, a menina estava deitada nua sobre a cama. Seus olhos estavam bem abertos e os braços esticados de lado. Sua boca estava entreaberta. Seu pescoço estava vermelho pelo estrangulamento. Sato percebeu que ela estava morta.

Embuscade a tinha matado. Ele tinha cometido um assassinato.

A raiva contra seu paraego cresceu em Sato Ambush. Ele saiu correndo e gritando da sala. Então ele viu Embuscade, no cimo de uma colina, comendo alguma coisa. Sato correu na direção dele, rugindo. Ele também formou uma bola de energia psíquica e a arremessou contra Embuscade, que foi cuspido do morro.

Você a matou! — Ambush gritou atordoado.

Embuscade se levantou. — Ela pediu por isso — ele disse, impassível. — Ela não queria nos dar o que queríamos. Quando ela fez espalhafato, nós a estrangulamos, e daí? Ela era uma puta barata. Sua vida não era importante.

Você é um monstro! — gritou o pararrealista e arremessou outra descarga de energia psi contra Embuscade. Este caiu no chão, gemendo.

Então ele se levantou de novo. Loucura e desprezo brilhavam em seus olhos.

Se você quer se medir comigo, então faça isso. Eu vou te ensinar uma lição que vai provar sua inferioridade! — Embuscade rosnou.

Ele correu para sua cabana e vestiu o SERUN. Ele pegou o desintegrador e atirou em Ambush. Este tinha procurado cobertura atrás de uma pedra. Mas Embuscade o poderia encontrar em qualquer lugar.

A perseguição atravessou todo o mundo de Embuscade.

Frequentemente o pararrealista mal conseguia escapar do tiroteio fatal. Ele não tinha escolha a não ser fugir para o Multiverso. Lá ele teria a chance de mergulhar em outra cadeia de realidades e assim escapar de Embuscade. Sato se concentrou quando buscou refúgio atrás de uma pedra.

Venha para fora, seu miserável idiota — seu semelhante enfureceu. — Nós não temos nenhuma chance contra nós. Eu serei misericordioso conosco. Talvez nós o deixemos viver. Ou tomamos a boa energia psíquica do Ki! Então estaremos unidos eternamente. Também é rápido, você ouviu?

Mas Sato não acreditou nele. Sua imagem tinha se tornado completamente insana ao longo dos anos.

Agora restava apenas a fuga para outro contínuo. Sato desapareceu lentamente e trilhou o caminho do Multiverso. Embuscade partiu em sua perseguição.

  1. Capítulo 13 

Viagem no tempo

 

As pessoas mais importantes estavam reunidas em uma sala de conferências: Rhodan, Sam, Aurec, Wyll Nordment, Rosan Orbanashol e Garl Spechdt.

Pathfinder não me diz nada — Rhodan teve de confessar. — A Força Espacial dos Estados Unidos não enviou nenhuma sonda para Marte. Dos soviéticos ela não pode ser, porque provavelmente o nome seria escrito em cirílico...

Você está certo de que nos encontramos no passado da Terra? — Sam deduziu a partir das declarações de Perry Rhodan.

Isso é certo. Essa é a única conclusão lógica. Marte está em Arresum e não mais no Sistema Solar. Nós também não detectamos nenhum voo espacial no sistema até agora. Tudo indica que estamos no passado.

Mas quando exatamente? — Wyll Nordment queria saber.

Eu não sei exatamente — admitiu Rhodan. — Eu assumi que é antes de 1971, ou seja, antes do estabelecimento da Terceira Potência, mas esta sonda Pathfinder me perturbou.

Aurec agora tomou a palavra. — E se você estiver errado ou enganado?

Rhodan deu-lhe um olhar de reprovação. — Embora eu seja velho, não sou senil! Eu sei muito bem que não enviamos uma sonda para Marte. Naquela época usamos todos os nossos recursos financeiros para o voo para a Lua, para uma missão a Marte não poderíamos ter encontrado nenhum financiamento. Este estava agendado para muito mais tarde, mas então eu e Bully encontramos os arcônidas.

Aurec levantou as mãos pedindo desculpas. Então ele se levantou e caminhou até a holoprojeção do ambiente da espaçonave. Ele olhou para as estrelas. Rhodan viu que ele estava totalmente exausto. Ele ainda não tinha superado a morte de sua família.

O melhor seria voar para a Terra. Só lá poderemos ter certeza — disse Sam.

Rhodan concordou.

Ele se virou para Wyll. — Wyll, você precisa colocar a LONDON em órbita da Terra. O mais discretamente possível. Eles já tinham radar e telescópios. Quem sabe o que mais é diferente aqui. Portanto, tenha cuidado.

Wyll Nordment entendeu rapidamente. — Não se preocupe, eu vou fazê-lo — disse ele e foi embora com Rosan e Spechdt para a ponte de comando.

Eles deixaram para trás Rhodan, Aurec e Sam. O saggittonense ainda estava olhando para a holoprojeção. Ele tinha uma cara triste.

Rhodan olhou para Sam, em seguida, ele foi até Aurec e colocou a mão em seu ombro.

Eu sei o quanto dói quando se perde as pessoas que ama. Isso queima dentro de nós. Prefere-se morrer também.

Aurec tentou conter as lágrimas, mas seus olhos ficaram mareados. Ele se virou para o terrano.

Eu ainda não consigo acreditar que eles não estão mais vivos. Há alguns diats ainda estava tudo bem, mas agora eles estão mortos. Eles foram cruelmente assassinados. E eu não pude ajudá-los. Eu não consegui nem me despedir deles — gaguejou o saggittonense com a voz rouca.

Ele tentou se recompor novamente.

Rhodan pensou por um momento. Era difícil encontrar palavras edificantes.

Eu não sei se tenho a força para continuar. Tudo se tornou tão sem sentido — disse Aurec melancolicamente.

Rhodan acenou. — Não, sua vida não é sem sentido. Eu conheço este sentimento que o acomete. Mas você não deve se render a ele! Enquanto existem seres vivos que precisam de ajuda, nossas vidas têm sentido. Enquanto existem seres vivos, pelos quais vale a pena seguir em frente, sua vida tem sentido! Pense nos saggittonenses.

Estas palavras tiveram um resultado assombroso. Aurec voltou-se para a janela. Seu povo era uma razão. Vingança, outra. Dolphus deveria pagar por isso!

Ele recuperou a coragem. Quando ele se virou para Rhodan, seu rosto brilhava novamente com confiança e esperança.

Você está certo, meu amigo terrano. Há coisas pelas quais vale a pena continuar. Você pode novamente contar plenamente comigo!

Rhodan sorriu. — Isso é o que eu queria ouvir, meu amigo saggittonense!

Ele lhe deu um tapa de leve no ombro.

Sam se meteu na conversa agora. — Mas primeiro temos que esclarecer quando e onde estamos. Depois temos que tentar voltar novamente para nosso tempo.

Rhodan sabia que o somerense estava certo. O local estava resolvido. A estranha espaçonave asteroide os tinha levado de volta no tempo. Mas eles mesmos não tinham capacidade de manipular o tempo. Por conseguinte, não havia nenhuma maneira de voltar.

Além disso, havia a questão de quem comandava a espaçonave asteroide...

***

 

Rodrom entrou na sala e começou a falar suavemente: — Rhodan caiu na minha armadilha. É hora de começar a caçada.

Seus olhos caíram sobre os cinco lutadores. Eles estavam ansiosos para destruir o terrano.

O lare Melsos Berool era o líder do grupo. Ele era o mais sofisticado e mais elegante desses seres. O mais poderoso da unidade de elite de Rodrom sem dúvida era o policial do tempo Ark Thorn. O gigante falava pouco. Ele geralmente ficava de lado tranquilamente, mas cumpria suas ordens.

Todos eram membros de um povo que estivera em contato com Perry Rhodan.

É exatamente por isso que tinham sido escolhidos por Rodrom. Eles possuíam a agressividade necessária para destruir Perry Rhodan e seus companheiros.

Cada um dos cinco estava sob tensão. Todos estavam ansiosos para finalmente serem usados contra Perry Rhodan. Além disso, cada um deles esperava ser aquele que teria a glória de matar o imortal.

O vermelho disse: — Vão agora para o dolan e voem através de nosso portal de espaço-tempo. Então vocês chegarão a uma Terra. Lá vocês vão caçar e abater Rhodan!

Os cinco confirmaram a ordem.

Vai ser um prazer para nós! — disse Berool.

Rodrom sentiu satisfação. Sua hora tinha chegado. Ele mal podia esperar para apresentar os restos de Rhodan para seu mestre.

Os cinco lutadores entraram no dolan e voaram através do portal espaço-tempo. Isto os levou para outro universo e outro tempo.

A ordem era clara: matar Perry Rhodan!

 

***

 

A LONDON ativou a proteção contra localização enquanto passava pela Lua.

Wyll estava na ponte e dirigia a espaçonave manualmente. Ele desconfiava demais da sintrônica.

Rosan estava ao lado dele, tentando se familiarizar com o equipamento de rádio. Spechdt estava sentado na localização e amaldiçoava, porque ela não funcionava de novo.

Lichtern ajudava Nordment a navegar.

Nós podemos capturar com precisão o ambiente ao redor da espaçonave apenas em um raio de cerca de 100.000 quilômetros! — disse ele, irritado.

Por isso, não podemos mudar nada no momento. Devemos, portanto, ser cautelosos — disse Wyll.

Spechdt revirou os olhos e depois se concentrou novamente na localização.

Eu tenho algo na tela. Na verdade, um monte — relatou ele.

Wyll foi até ele e olhou para a tela.

O que são estas espaçonaves? — ele perguntou.

Spechdt balançou a cabeça. — Não, não são naves. São satélites, telescópios e uma estação espacial.

Rosan informou agora Perry Rhodan, que veio rapidamente até o centro de comando com Aurec e Sam.

Os satélites e telescópios não eram incomuns. Mas não havia então nenhuma estação espacial — relatou o portador de ativador celular.

Rosan tentou interceptar a radiocomunicação. Ela fez uma careta.

Pouco tráfego de rádio, mas a partir da estação sai alguma coisa. No entanto, eu não entendo uma única palavra!

Rhodan foi até ela e ouviu a radiocomunicação. Ele riu.

Isso é russo. Por conseguinte, é provável que seja uma estação soviética.

Perry ouviu por um tempo o desencadear das conversas.

Aparentemente, eles têm alguns problemas com o tanque de oxigênio. Mas têm tudo sob controle. O nome da estação é Mir.

Rhodan ordenou passarem pela Mir e entrar em órbita da Terra. Eles continuaram a escutar o tráfego de rádio e o murmúrio na área de multimídia da Terra. Eles assistiram TV e procuraram a internet.

Bem primitivo — constatou Wyll.

Os filmes me agradam — Rosan achou graça.

Os vinte tripulantes se tinham permitido aprender, por hipnotreinamento, os principais idiomas do mundo. Eles agora podiam falar cinco línguas terráqueas: inglês, alemão, russo, espanhol e francês. Mas o tempo não foi suficiente para transmitir plenamente todos os idiomas. Assim, nos últimos três idiomas, o vocabulário completo não tinha sido recebido.

O rosto de Rhodan escureceu quando descobriu o tempo exato em que se encontravam — em junho de 1998!

Alguém deve ter mudado o passado — disse Sam.

Então, um paradoxo temporal — disse Aurec.

Rhodan sacudiu a cabeça. — Então não estaríamos aqui. Se alguém realmente tivesse impedido o nascimento da Terceira Potência, teríamos sido facilmente removidos!

Não necessariamente! — exclamou o somerense. — E se esta névoa nos protegeu de um paradoxo? Então, tudo teria significado.

Mas Rhodan ainda estava cético. — Nós precisamos descer à Terra para descobrir. Vamos formar uma equipe. Eu, Sam e Aurec vamos assumir.

Eu também quero! — Rhodan ouviu uma voz feminina ao fundo. Era Shel Norkat. Ela variava entre inconsciente e acordada. O robô médico surgiu para novamente estabilizá-la.

Ela foi até Aurec e beijou-o apaixonadamente. Sam começou a limpar a garganta ruidosamente. Finalmente, ela terminou o amasso.

Eu senti sua falta, querido — ela sussurrou em seu ouvido.

Eu não acho que isso irá nos ajudar! — Sam observou com amargura. Rhodan notou que ele parecia ter problemas quando as pessoas mostravam seu amor tão abertamente. O somerense era muito conservador. Ele muitas vezes já provara isso.

Rhodan acenou. — Vamos levá-la. Não temos muita chance de sermos exigentes.

Também Aurec concordou. Ele precisava de Shel por perto. Talvez ela fosse a única pessoa que poderia ajudá-lo a se afastar da perda de sua família.

Rhodan entregou o comando para Wyll. Ele e Rosan deveriam permanecer em segurança a bordo da LONDON. Rhodan tinha um mau pressentimento e queria saber que a LONDON estava em mãos capazes.

No início, o grupo esteve à procura de roupas que se encaixassem na moda do século 20. Perry Rhodan usava camisa branca, calça jeans preta e uma jaqueta de couro marrom.

Aurec também estava vestido de forma bastante básica, enquanto Shel usava um traje bastante provocante, formado por calças de couro apertadas e um top também muito apertado, que deixava a barriga de fora.

Estamos indo para uma missão cósmica e não para uma apresentação da TV, senhorita Norkat! — Sam disse para ela.

Aurec pareceu ficar com raiva. Rhodan se meteu bem a tempo.

Eu acho que algo como isso era usado pelas mulheres. Há coisas mais importantes para pensar. O que vamos fazer com você? Provavelmente não há alienígenas. Algo como você naquele tempo só no jardim zoológico.

Muito engraçado — respondeu o somerense. — Eu vou vestir um capuz e colocar um lenço na frente do bico. Então, ninguém vai me reconhecer. Liliputianos não existem neste planeta. A moda também é muito diversificada. Então eu não devo atrair a atenção.

Rhodan acenou com um sorriso.

O pequeno grupo foi para o space-jet. A proteção contra localização foi ativada. A espaçonave partiu e voou para a Terra.

Nós vamos primeiro para a América do Norte — ele decidiu. — Talvez obtenhamos algumas informações detalhadas. Nova Iorque será o nosso primeiro objetivo. Já naquela época, a cidade era uma metrópole.

 

***

 

O space-jet camuflado voou para a cidade. Ele pousou fora de Nova Iorque. A proposta de Sam de pousar no Central Park foi rejeitada por Rhodan, pois isso era muito perigoso.

Os dois terranos, o somerense e o saggittonense saíram. Eles foram primeiro para os subúrbios e lá pegaram o metrô para chegar ao centro.

Quando chegaram diante das máquinas de bilhetes, Rhodan percebeu que precisava de dinheiro.

Nós temos que, de alguma forma, obter dinheiro aqui.

Eles voltaram ao space-jet e transportaram algumas joias com o transmissor.

Isso pertenceu à família Orbanashol — Rosan disse divertida pelo intercomunicador.

Dê-lhes meus agradecimentos, se acordarem de novo algum dia — disse Rhodan.

Ele ficou surpreso porque os passageiros ainda estavam inconscientes.

Eles voltaram para a estação de metrô.

Oh Deus, isso aqui é sujo. Não há robôs de limpeza? — Shel perguntou desgostosa diante do estado do metrô. Ela torcia o nariz e pensava duas vezes diante de cada passo.

Rhodan teve de rir. — Este mundo é um pouco diferente da Terra de 1285 NCG. Nos anos setenta, era sujo. Mas agora parece ter se tornado pior. Temos de ter cuidado. Algumas pessoas aqui são perigosas.

Eles embarcaram no trem quando ele parou. Ele estava cheio e foi difícil até mesmo para obter quatro lugares. Mas eles conseguiram.

Sam olhou para os outros passageiros. — Em contraste, as pessoas de Lepso parecem, até mesmo, amigáveis.

Desigualdade, egoísmo e pobreza formavam naquele tempo uma mistura perigosa que levou à alta criminalidade e à violência — disse Perry Rhodan.

O trem parou em algumas estações. Uma delas era o Bronx. Subiram alguns adolescentes. Um deles era bem grande e forte. Ele usava um corte moicano branco. Outro usava um aparelho de som em seus ombros, de onde podia ser ouvido um rap alto.

Eles pararam diante de um velho casal.

Hei vovô, fora daí. Este é o meu lugar — rosnou o grande.

Ele pegou uma faca borboleta. O velho casal se levantou e saiu.

Sam balançou a cabeça.

Será que não há guardas de segurança aqui? — ele perguntou, incrédulo.

Os tempos eram diferentes naquela época — explicou Rhodan em voz baixa. Ele tentou não olhar para os três valentões.

Muitos cidadãos tinham momentos difíceis. Eles viviam principalmente em situação de pobreza. Portanto, eles eram bastante amargos e agressivos.

Naqueles dias, a sociedade era muito errada! — disse Sam em tom mais agudo.

Também Shel não se sentia particularmente à vontade. — O cara me olha constantemente — ela sussurrou para Aurec.

Não se preocupe, ele não vai te machucar — o saggittonense a tentou tranquilizar.

Você tem certeza?

O gigante levantou-se e ficou diante Shel.

Não — respondeu Aurec.

Ei você. Parece com tesão. Quer ir comigo ao banheiro? — borbulhou o adolescente com uma voz alta e um inglês resmungando.

Shel não tinha certeza se o tinha ouvido corretamente.

Não, obrigado. Eu não quero ir ao banheiro.

O adolescente começou a rir em voz alta. — Querida, você pode ser loira, mas certamente não é tão estúpida. Chica, eu quero te empurrar meu número!

Agora ela entendeu. — Eu sinto muito, eu já estou comprometida — disse ela, segurando a mão de Aurec.

Com o latino afetado? Mas ele não tem nada na caixa! Certamente é um imigrante ilegal, não amigo? — o americano gritou.

Aurec se levantou. — Ouça. Eu sou o legítimo Chanceler da República de Saggittor — ele disse.

Isso fica do lado de fora de Nova Iorque? — perguntou perplexo o homem do Bronx.

Aurec balançou a cabeça e sentou-se novamente.

Sam levantou-se. — Seria melhor se você ler um livro sobre Sigmund Freud ou Albert Einstein. Além disso, seria aconselhável comprar alguma roupa melhor e também sua escolha de música é patética.

Mais uma vez, o rufião deu a impressão de estar desnorteado.

Quem é o Salsicha?

Rhodan já tinha ativado seu paralisador. A conversa tomava um rumo perigoso. Os outros no vagão se mantinham a grande distância dos eventos.

O gigante agarrou o somerense e puxou a toalha da cabeça. Seus olhos se arregalaram quando ele viu o rosto do somerense.

Bem, surpreso? — perguntou Sam e puxou rapidamente para trás o capuz sobre sua cabeça, antes que outros mais o vissem assim.

O homem gritou estridentemente. Ele cambaleou para trás e caiu no chão. Ele só chorava. Em seguida, ele correu para seus comparsas.

Um peru falante — ele gritou. O trem parou e o fortão saiu com seus amigos.

Os outros clientes continuaram em grande parte, sem se preocupar com nada.

Peru? — Sam repetiu a ofensa. — Quando muito, uma águia americana. O cara vive aqui e nem sequer conhece o brasão de armas de seu país.

Rhodan teve de rir. Ele, no entanto, ficou sério novamente. — Você vê, as pessoas aqui são imprevisíveis. Portanto, tenha cuidado.

O metrô parou no centro de Manhattan.

Uau, a Estátua da Liberdade já existia nesta época — disse Shel espantada.

Eu proponho que nos separemos — sugeriu Rhodan. — Vamos à procura de fontes de informação; se um de nós for capaz de encontrar, ele nos informa pelo intercomunicador. Formamos dois grupos: Sam e eu e Aurec e Shel

Os dois grupos se separaram.

 

***

 

Rhodan e Sam foram para a grande biblioteca. As pessoas não se importavam muito com a estranha figura de Sam. Eles mal se interessavam pelos demais seres humanos.

Os dois se sentaram em um computador com acesso à internet.

Microsoft Internet Explorer — murmurou Rhodan e sorriu. — Que primitivo.

Eles tentaram obter todas as informações sobre Perry Rhodan. Na verdade, eles também conseguiram encontrar. Embora o computador usasse o sistema operacional Windows 95, Rhodan disse que este era bastante comum na época. Sam, obviamente, tinha dificuldade para lidar com o mouse do computador e se perguntou por que a sintrônica não respondia aos seus comandos verbais.

Sem adendo pos-bis — ele resmungou.

Eles descobriram um artigo de jornal de 1944 — “família morta em acidente de carro”. Esta família se chamava Rhodan.

No acidente de carro morreram tragicamente Jake, Mary, Deborah e Perry Rhodan — ele leu em voz alta. — Jake e Mary Rhodan tinham acabado de sair de licença e queriam ir com seus dois filhos, Deborah e Perry, para a fazenda de seu tio. Então o carro saiu da pista durante uma tempestade feroz e capotou várias vezes antes de explodir.

As últimas palavras, Rhodan falou com a voz trêmula. Sam podia entendê-lo perfeitamente. Nem todo mundo conseguia ler tranquilamente sobre sua própria morte. O resto da mensagem o camelotiano deixou de lado. Ele olhava incrédulo para o chão.

Mas Debbi tinha morrido já em 1941 — ele disse simplesmente.

Sua irmã? — perguntou Sam.

Sim, ela era jovem. Mama... minha mãe, a tinha deixado brincando fora. Ela tinha esquecido de fechar a porta da cerca. Então Debbi foi para a rua e foi atropelado por um carro. Eu sempre culpei minha mãe e nunca a pude perdoar por ter sido tão desatenta e deixar morrer minha pequena irmã.

Sam não sabia exatamente o que dizer. Rhodan parecia muito abatido. As velhas lembranças vieram à tona. Ele ficou chocado por ter morrido com a idade de oito anos.

Os meus pais são outro absurdo. Eles estavam na guerra e, sem dúvida, não tinham tirado nenhuma licença na época. Eu estava vivendo com meu tio Karl — ele explicou.

Assim, o passado foi alterado — combinou o somerense. — Percebo que sua suposta morte é de um ano antes de seu primeiro contato com AQUILO. Talvez apenas a intenção.

Rhodan não sabia para o momento nenhuma resposta a estas perguntas. Ele se recompôs. Ele procurou por amigos. Demorou horas para ver todos os nomes. Ele encontrou o endereço de Reginald Bull. Que vivia em Las Vegas. O endereço de Allan D. Mercant estava no sistema de computador.

É aqui bem perto. Um subúrbio de Nova Iorque — disse Rhodan. — Sugiro fazer uma visita a Mercant. Talvez possamos descobrir alguma coisa com ele. Ele provavelmente deve estar aposentado.

Os dois seguiram a caminho do ex-chefe da Segurança Solar.

  1. Capítulo 14 

Sato contra Sato

 

Alguns anos antes...

O pararrealista usava um SERUN e se movia através do Multiverso usando o poder do Ki. Ou era apenas a pararrealidade do paramundo de Embuscade e ele só acreditava poder se mover no Multiverso?

Ambush procurou se esconder em planos paralelos, mas Embuscade conseguia encontrá-lo repetidamente. Uma vez que ele chegou muito perto de Sato e atirou nele com o desintegrador.

Eu lhe disse que não há escapatória. Estamos no fim! — Embuscade riu triunfante.

Agora não havia mais dúvida que o semelhante a Ambush sem dúvida era completamente louco. Sato podia sentir muito bem a maldade de seu interlocutor. Ele estremecia quando pensava que Embuscade era ele mesmo. Sua imagem de um universo paralelo.

Um raio voou sobre a cabeça de Sato. Ele fez uma careta. Embora o SERUN pudesse protegê-lo desse raio, ainda assim Ambush teve medo.

Mais uma vez ele mergulhou em uma fiada. O túnel em que ele se viu era cinza e escuro. Alguns raios verdes brilhavam através do túnel.

Então ele saiu e se encontrou em um mundo semelhante à Terra. Um sol amarelo brilhava e estava muito quente. Sato deslizou para uma colina e viu abaixo dele uma grande floresta. Atrás dele, um grupo de criaturas se preparava para alguma coisa.

Lá, ele assistiu a uma grande batalha. Milhares de seres em marcha. Eles tinham em média cerca de dois metros de altura e eram humanoides, mas tinham apenas um olho e pareciam ciclopes. Eles estavam vestidos de forma primitiva. Suas armas eram espadas, arcos e flechas. A batalha foi sangrenta e cruel. As criaturas lutavam com a brutalidade habitual de povos primitivos.

Ninguém notou Sato Ambush. Ele flutuava lentamente sobre a cena com seu SERUN.

Sato não teve tempo para ficar horrorizado ou preocupado, porque Embuscade apareceu. Ele disparou agora com armas térmicas contra o SERUN de Sato. Este tentou se esconder no meio da luta. Embuscade atirou em Sato sem se preocupar com as baixas. Mas Ambush tentava desviar o feixe enquanto alguns ciclopes eram evaporados pelos raios quentes. Sato mandou o picosin acelerar. Agora ele estava correndo a uma velocidade de mais de 300 quilômetros por hora logo acima dos seres.

Embuscade o perseguiu. Ele ativou seu campo paratron e correu em meio aos combatentes. Eles queimaram no campo paratron, permitindo que Embuscade caçasse sua presa sem complicações.

Sato agora decidiu virar a mesa. Ele também já tinha acionado o campo defensivo. Ele sacou um desintegrador do bolso da coxa e voou para as montanhas. Ele escolheu especialmente as gargantas estreitas para continuar a viagem e tornar a perseguição de Embuscade o mais difícil possível.

Ele deliberadamente reduziu a velocidade. Sua paraimagem chegou mais perto. Quando os dois estavam a poucos metros de distância um do outro, Sato mergulhou em um desfiladeiro de um metro de largura. Embuscade continuou a atacar o pararrealista. Sato viu uma rocha sobre o desfiladeiro. Ele atirou com o desintegrador e os pedaços começaram a rolar ladeira abaixo. Ele desencadeou uma pequena avalanche, que caiu na ravina. Sato Ambush ainda conseguiu sair a tempo do desfiladeiro, mas os fragmentos caíram sobre o assustado Embuscade e o sepultaram.

Ambush não tinha certeza se isso seria suficiente para subjugar Embuscade. Poucos segundos depois, ele teve certeza. Embuscade saiu dos escombros e atingiu Ambush. O pararrealista caiu gemendo no chão e rolou por um declive.

Embuscade voou para o local onde o pararrealista jazia. Ele tinha batido em uma pedra dura. O choque cinético o tinha paralisado por alguns instantes.

Lentamente ele conseguiu se orientar. Ele se endireitou. A primeira coisa que viu foi Embuscade. Ele tinha os braços sobre os quadris. Um largo sorriso podia ser visto em seu rosto. Ele puxou o desintegrador e Ambush saltou por reflexo. Ele atingiu Embuscade com um pontapé doloroso na virilha. Então ele pegou uma pedra e golpeou Embuscade na cabeça, pois notou que o campo defensivo fora desativado.

Embuscade afastou Ambush e se endireitou. Ele aparentemente queria buscar uma decisão.

Ambos agora usaram artes marciais asiáticas.

Você nunca vai poder me matar — gritou Embuscade.

Ambush não respondeu.

Você depende de mim. Sem nós, você é só um merda! — latiu o louco.

Ambos lutaram com chutes e socos. Embuscade marcava cada ação com um grito. Ele tentou atingir seu paraego com um chute lateral, mas Ambush abaixou e conseguiu derrubar Embuscade com uma rasteira. Ambos estavam lutando na borda de uma ravina profunda. Ambush golpeou várias vezes a face de Embuscade. Este perdeu o equilíbrio e caiu no abismo.

Ambush viu um clarão que quase o cegou. Ele conhecia bem este clarão. O japonês correu rápido para a ravina e olhou para o chão, onde nenhum corpo jazia despedaçado.

Embuscade conseguira se safar a tempo através da imersão em outro paramundo.

A luta ainda não fora decidida, mas a maré tinha virado. O caçado agora tinha as cartas na mão. Agora o caçador era Sato Ambush.

  1. Capítulo 15 

Terra 1998

 

Os dois alugaram um carro e dirigiram até o local definido em Nova Iorque. Perry Rhodan claramente teve incômodo para conduzir corretamente o veículo. Para seu pesar, ele tinha alugado um veículo não automático. Ele muitas vezes se confundiu com o câmbio.

Sam olhou para ele. — Eu pensei que você viveu neste tempo.

Faz tempo desde que eu dirigi um carro — Rhodan se desculpou com um sorriso cansado.

Após cerca de duas horas eles chegaram ao subúrbio.

ESTARTU seja louvada — orou Sam quando saiu do carro. — Nada bate um confortável planador, pairando vários metros acima do solo.

Perry teve de rir em voz alta.

Eu acho que foi divertido.

Eles caminharam em direção ao edifício denominado “paz de espírito”.

Nome estranho, disse Rhodan.

Eles entraram no edifício e chegaram à recepção. Lá havia uma mulher com excesso de peso com um casaco branco. Ela tinha amarrado o cabelo castanho gorduroso em um rabo de cavalo.

Desculpe — Rhodan começou.

O quê? — ela sussurrou para ele. Ela se virou e foi para uma máquina de café.

Lentamente ela se serviu de uma bebida preta e primeiro esvaziou a xícara antes de se voltar para Rhodan e Sam.

Eu gostaria de falar com o senhor Allan D. Mercant — Perry Rhodan continuou.

Um momento — respondeu rudemente a mulher e capotou algumas fichas. — Vocês são amigos dele? Eu nunca os vi aqui.

Nós éramos bons amigos. Vivemos um pouco longe. No deserto de Gobi — disse Rhodan.

Árabes ou algo assim — disse a mulher com firmeza suspeita.

Rhodan recebeu apenas um sorriso de incompreensão e achou melhor não educar a mulher sobre seu erro geográfico.

Quarto 179. Vocês têm trinta minutos — ela quase murmurou.

Rhodan agradeceu e foi com Sam. Eles queriam tomar o elevador, mas ouviram o grito da mulher avisando que o elevador estava quebrado.

Então, vamos subir as escadas — disse Rhodan um pouco frustrado. O quarto 179 ficava em um andar alto.

Eles entraram no quarto onde um homem jazia deitado em uma cesta. Rhodan e Sam o olharam sem expressão.

Allan? — perguntou Perry calmamente.

O homem na cesta acordou. Ele estava amarrado a uma corrente e colocado em uma camisa de força. Ele pulou para fora da cesta e se arrastou até os visitantes. Ele os cheirou e, em seguida, começou a latir.

Os olhos de Rhodan e Sam se arregalaram quando ouviram o “au, au”.

Esse é o lendário Allan D. Mercant? — Sam disse descrente. — Um enlouquecido e diminuto pinscher?

Rhodan sacudiu a cabeça. — Não, esse não é Allan D. Mercant. O homem é muito jovem. Mercant nasceu em 1916, agora deve, portanto, ser 82 anos de idade.

Nesse momento, um médico correu para eles. — O que vocês estão fazendo aqui?

Estamos à procura de Allan D. Mercant — disse Perry.

Ele não está nesta sala, como vocês podem ver — o médico respondeu rispidamente.

O doente, que achava ser um cão, ofegou e se arrastou o médico. Este tirou um bolinho e deu para ele. Então ele se arrastou para Perry Rhodan e levantou a perna. Um líquido amarelado era visível em suas calças.

Rhodan teve uma sensação estranha nesta situação. Ele não sabia se devia rir ou sentir pena.

Sentado! — disse Rhodan.

Ele estava visivelmente constrangido.

O médico deu um tapa nas nádegas do paciente e sentou-se também.

Fora! Vamos! Para a copa! — ele ordenou.

O paciente começou a choramingar e deitou-se na cesta. Rhodan e Sam estavam confusos.

Então devemos voltar para a recepção — disse Rhodan lentamente.

Desceram as escadas novamente.

A mulher estava no telefone com uma amiga. Era uma conversa inconsequente. Ela blasfemou apenas contra um vizinho e falava sobre as últimas notícias relativas a uma suposta amante do vizinho.

Desculpe... — Rhodan começou hesitante.

O quê? — ela disse de forma hostil. — Espere, Anne. Aqui alguém me perturba. O sr. Rhoman ou como quer que se chame. Estou muito ocupada agora.

Rhodan revirou os olhos.

Você nos deu o número errado — ele disse para ela, um pouco irritado.

Então eu dei? Hum, eu te disse sala 197 — ela murmurou de volta.

Não, você disse sala 179 — Sam a interrompeu.

Oh, bem, eu quis dizer 197. Agora vão, vocês têm apenas trinta minutos. Eu tenho mais o que fazer!

Rhodan suspirou fundo. Ele e Sam subiram as escadas até chegarem à sala 197. Como precaução, perguntaram para outra enfermeira se este era o quarto de Allan D. Mercant. Ela confirmou.

Rhodan e Sam entraram. Um idoso estava sentado em uma cadeira de balanço e balançou para trás e para frente.

Allan? — perguntou Perry calmamente.

O homem na cadeira de balanço virou a cabeça para o lado e olhou para os dois visitantes.

Quem... quem... é você? — ele perguntou com voz rouca.

Eu sou Perry Rhodan.

Bom dia senhor Rhodan. O que posso fazer por você? Você é do FBI ou a CIA?

De nenhum deles. Eu sou da Terceira Potência.

China?

Não! Você não se lembra da fundação da Terceira Potência? Dos arcônidas, de Terrânia ou dos DI?

Não, vocês são da NASA? Ainda existe a Área 51? Mas eu não tenho tempo agora. Preciso seguir para Sarajevo, lá uma missão secreta espera por mim.

Rhodan fez uma careta.

Eu pensei que você estava aposentado?

O rosto de Mercant se contraiu com entusiasmo. Ele se levantou e tomou sua bengala.

O que você está pensando? — ele gritou. — Eu ainda estou a décadas de distância da minha aposentadoria. Faça apenas o favor de sair da frente!

Rhodan percebeu que Mercant estava nesta casa porque acreditava que ainda trabalhava para o serviço secreto.

Vamos, Sam, vamos embora. Aqui é uma perda de tempo — ele decidiu amargamente.

Depois se virou novamente para Allan: — Ainda assim, foi bom vê-lo novamente.

Ele sorriu para o velho que não entendeu o que Rhodan disse.

Os dois deixaram a “paz de espírito” e voltaram para Manhattan. Rhodan estava visivelmente deprimido.

 

***

 

Ficou claro que a Terceira Potência nunca tinha existido nesta terra. Perry tinha que saber o que fora da Humanidade sem sua liderança. Ele não estava muito animado com essa alternativa.

Ambos foram primeiro para um shopping center, para comer alguma coisa. Eles compraram dois cachorros-quentes em uma lanchonete.

Já provei cachorros-quentes melhores — disse Rhodan, mordendo com prazer o pão com salsicha.

Ele não acreditou em seus olhos quando um homem de terno cinza e gravata também pediu um cachorro-quente. O homem tinha cerca de 40 anos. Perry o reconheceu imediatamente. Era Julian Tifflor. Ele chegou perto de falar com ele, mas não havia nenhum ponto. Julian Tifflor neste universo não conhecia Perry Rhodan.

Tifflor desapareceu entre a multidão.

Rhodan sacudiu a cabeça.

Eu quero ir para casa — ele sussurrou para Sam. Muito pesar soou em sua voz.

 

***

 

Wyll, Wyll! — Spechdt gritou animado. Ele correu para o centro de comando e estava completamente sem fôlego. Wyll Nordment se virou para ele.

O que está acontecendo?

Ullryk Wakkner se foi! — Disse o operador-chefe de localização.

Quem?

Ullryk Wakkner. Um banqueiro de triste e magra aparência. Ele voou com um pequeno escaler para a Terra.

Wyll conseguiu se lembrar do homem. Quando ele e Holling tinham dado boas-vindas aos passageiros da LONDON, ele estava entre eles. Poucos dias depois, ele tinha até mesmo se sentado à mesa do capitão.

Mas o cara era bem discreto. Precisamos informar Perry Rhodan.

Ele foi até o terminal de rádio, tentando chegar ao camelotiano. Mas Wyll não conseguiu. Algo bloqueava a transmissão.

Wyll pousou a cabeça nas mãos e refletiu. Quando Rosan entrou na central de comando, ele a informou sobre a situação.

Nós não temos escolha senão voar atrás dele — disse Nordment. — Se as pessoas perceberem que estamos aqui, teremos ainda menos chance de descobrir em paz como poderemos voltar. Eu voarei com um escaler para a Terra e vou procurá-lo.

E eu vou com você!

Wyll acenou.

Não, Rosan. É muito perigoso.

E daí? Você precisa de ajuda e sozinho não vai encontrá-lo. Você certamente não vai contrariar uma aristocrata arcônida?

Wyll refletiu um momento. Ele não queria ofender. Certamente não era tão perigoso procurar Ullryk Wakkner.

Tudo bem. Você pode vir — ele suspirou. Como recompensa, ele recebeu um beijo na bochecha.

Rosan sorriu. — Eu não teria aceitado uma resposta diferente.

Wyll primeiro localizou a cápsula de salvamento.

Wakkner voou para a Europa — disse ele. — Especificamente para o norte da Alemanha, em uma área chamada Ostholstein. Segundo o localizador ele levou uma minissintrônica.

Mas o que ele quer com isso? — perguntou Rosan.

Não tenho ideia. Mas vamos descobrir. Temos que usar uma roupa do século 20, assim não seremos notados. Depois vamos voar. Spechdt, você fica em órbita. Tente alcançar Perry Rhodan.

O operador de localizador assentiu e desejou-lhes boa sorte. A cápsula decolou depois que eles tinham vestido roupas adequadas ao século 20.

Eles ativaram a proteção contra localização e se dirigiu para Ostholstein.

 

***

 

O dolan disparou com a velocidade da luz através do portal espaço-tempo que era a ligação entre os dois universos.

Ele voou ao largo da pequena estação de Rodrom, que era ocupada por kjolles, e atingiu o Sistema Solar.

Ark Thorn fez a verificação do sistema. Seu executor anunciou que a LONDON estava em órbita da Terra.

Melsos Berool comentou esta notícia com um leve sorriso.

Eu acho que deveríamos abater a LONDON. Por meio do choque de estranheza, que a maioria da tripulação sofreu, seria bem fácil abater a espaçonave. Ark Thorn, este é seu dever.

O condicionado em segundo grau fez-se um som que soou como uma risada.

O dolan correu em direção à Terra. Dentro de poucos minutos, ele chegou a Marte.

O executor relata que há uma pequena sonda que o circunda — disse Thorn.

Abata-a! — gritou Itzakk.

Rejeitado, é peixe pequeno. Vamos nos concentrar na LONDON — Berool decidiu.

O dolan voou em chegou à Lua.

À nossa frente há uma estação espacial terráquea... ou algo assim — Thorn anunciou.

Na tela! — pediu o lare.

A estação foi apresentada a tela. Berool riu.

Que primitivos eram estes terranos antigamente.

O executor de navegação aconselhou uma mudança de curso, senão colidiriam com a estação espacial.

Thorn decidiu contra.

O dolan correu em direção à estação espacial e colidiu com ela. O campo paratron nem sequer cintilou, mas a Mir ficou quebrada em mil pedaços.

Os cinco lutadores de Rodrom se alegraram com isso. Itzakk, por outro lado, ficou decepcionado.

Vamos cuidar da LONDON. Perturbar o tráfego de rádio caso algum deles tente falar com o planeta — ordenou o lare.

O dolan se aproximou da LONDON com grande velocidade.

 

***

 

Spechdt! Uma espaçonave alienígena se aproxima de nós! — Lichtern gritou animado. O oficial magro apontou para o localizador que mostrava os resultados, embora não sem problemas, apesar de serem claramente visíveis.

O chefe de localização, que também comandava agora a LONDON — pelo menos enquanto Perry Rhodan e Wyll Nordment estavam na Terra — começou a ficar com medo. Ele viu na tela de localização como o Mir foi destruída.

Eles certamente não querem beber chá conosco. Vamos voar para outro sistema — ele decidiu.

Lichtern olhou para ele em tom de censura.

Mas Rosan e Wyll partiram faz apenas cinco minutos e Rhodan ainda está na Terra. Não podemos simplesmente deixá-lo para trás.

Não temos escolha. Vamos voltar. Procure deixar uma mensagem. Envie um robô para a Terra. Ele deve informá-lo que vamos voltar em dois dias.

Lichtern era contra, mas finalmente aceitou a ordem de seu superior. Os outros homens também seguiram as instruções de Spechdt. Em seguida, a LONDON acelerou e entrou no hiperespaço.

 

***

 

Thorn parou quando notou a fuga.

A LONDON entrou no hiperespaço — ele rosnou, claramente tentando manter a compostura.

O quê? Atrás dela! — ordenou Berool.

Não! — protestou o hauri Scardohn. — Ainda há alguns com nossa estranheza na Terra. Quatro... não, sete pessoas!

Lá também está Rhodan. Vamos pousar perto dele e abatê-lo. Vamos servir para nosso Mestre a cabeça de Rhodan em um prato com uma maçã na boca — Berool decidiu.

O dolan ativou a proteção contra localização e voou para a Terra.

Localizei três ecos de estranheza no continente da Europa e quatro no continente América, especialmente na América do Norte — relatou o policial do tempo.

Tudo bem, vamos voar para a América do Norte e cuidar da maior parte. A caça vai agora entrar em uma fase decisiva.

 

***

 

Aurec e Shel não tinham nenhuma grande notícia. Eles se encontraram conforme combinado com Perry Rhodan e Sam. Por um tempo eles se sentaram em silêncio em um restaurante. Resignação e impotência eram as consequências.

Na Terra, não encontraremos um modo de voltar ao nosso universo normal. Temos que tentar em outros sistemas — disse Rhodan.

Os três concordaram.

Vamos então informar a LONDON — disse Aurec.

Rhodan sacou seu telecomunicador do bolso. Ele o ativou e chamou a LONDON. A garçonete que estava passando pela mesa olhou incrédula para Rhodan.

Um pequeno telefone celular, o mais recente — Aurec justificou com um sorriso envergonhado.

Não me venhas com tretas, cara! — sussurrou a garçonete e foi para outra mesa.

Esses nova-iorquinos são loucos — constatou Sam.

Nós temos um problema. LONDON não está respondendo. Ela parece não estar em órbita — disse Rhodan.

O que significa isso? Onde ela está? — perguntou Shel Norkat.

Rhodan fez um gesto impotente. — Eu não sei, mas vamos descobrir.

Neste momento, aconteceu! Uma névoa avermelhada subiu atrás do balcão. A terra começou a tremer e houve uma grande explosão. O caixa e o atendente atrás dele voaram em diferentes direções. Os clientes gritaram e fugiram.

Também Rhodan e seus companheiros se levantaram e tentaram deixar o restaurante, mas então Perry divisou uma forma vermelha dentro do nevoeiro.

Uma fuga para você é inútil, Perry Rhodan! — disse a forma vermelha. — Nós vamos encontrá-lo em qualquer lugar. Não há nenhuma maneira de fugir.

Rhodan se aproximou do vermelho até chegar a três metros dele. O ser tinha cerca de dois metros de altura e um casaco vermelho. O rosto estava escondido por um capacete oval vermelho. Em uma fenda preta na altura dos olhos do capacete brilhava algo amarelo.

Quem ou o que é você?

Seu destino.

Eu não entendi — esclareceu Rhodan hesitante.

Claro que não entendeu. Seres inferiores podem, mas não entendem nada. Eu sou Rodrom, emissário e encarnação do grande MODROR!

Rhodan combinou rapidamente. Ele sabia que Rodrom era o responsável por esta viagem indesejada. Presumivelmente, ele também era o comandante da espaçonave asteroide gigante. Uma encarnação de uma entidade chamada MODROR! Pelo menos Rhodan suspeitava que MODROR fosse uma entidade. Uma superinteligência? Um cosmocrata ou caotarca? Ele não sabia. Mas, aparentemente, este ser tinha algo contra ele. Mas por quê?

Deveria ter algo a ver com a barreira em Saggittor. As pálpebras dos olhos de Rhodan caíram quando ele pensou nas histórias de Doroc. Lá se falava de uma figura vermelha. Esse era o ser vermelho! MODROR deveria ser o mestre do antigo opressor de Saggittor.

Eu suponho que você nos trouxe para esta Terra paralela?

Estou impressionado com sua intuição — zombou Rodrom.

Você não é a primeira entidade viciada que encontro. Mas o que temos a ver com você ou MODROR?

Vocês existem. Isso por si só já é motivo suficiente para eliminá-los. Mas a razão principal é você, Rhodan! As pessoas da LONDON são criaturas sem importância. Você, entretanto, tem de morrer.

Por quê? O que eu fiz para vocês? Faz séculos que não interferimos nos interesses dos caotarcas!

Rodrom riu diabolicamente.

Trata-se de coisas que você não pode entender.

As frases usuais dos seres cósmicos — rosnou Rhodan.

Eu não pretendo deixá-lo definhar neste planeta. Não, você vai ser caçado e morto como um animal!

Rhodan ergueu as mãos. — Eu posso ver que você quer minha morte. Mas deixe os outros em paz. Os passageiros de LONDON e os saggittonenses não têm nada a ver com seus planos. Você não tem nada contra eles.

Rodrom sacudiu a cabeça para cima.

Você presume que pode entender os motivos de um ser que está muito longe acima de você na ordem cósmica? Isso é ridículo. Ou você espera que uma ameba profira uma palestra sobre tecnologia 7D?

Rhodan teria gostado de voar na garganta dessa criatura arrogante, mas duvidava que Rodrom fosse material. O vermelho caminhou em direção a Rhodan até ficar diretamente diante dele.

As criaturas da galáxia Saggittor, bem como na LONDON, não são importantes — disse o ser vermelho. — Apenas usei os saggittonense para atrair a LONDON à armadilha. Dolphus é um dos meus capangas. Fui eu quem deu a ordem para a execução da família do chanceler. Os saggittonenses e os passageiros da LONDON eram apenas peões em um tabuleiro de xadrez.

Ele riu por um momento, cheio de escárnio, antes de comentar: — Não, não é verdade esta minha comparação; desculpe, na verdade, eles são formigas que são espezinhadas descuidadamente. Um peão pode ao menos, se for esperto o suficiente, comprometer a rainha ou mesmo o rei.

Rhodan permaneceu em silêncio.

Mas eu vou dar-lhe uma oportunidade justa. Você tem que competir contra cinco dos meus melhores lutadores. Eles vão persegui-lo neste planeta até que você ou eles sejam mortos. Como tenho a firme convicção de que eles não vão falhar, acredito que seu fim chegou. Por todos os séculos você conseguiu iludir a morte, mas, desta vez, não vai conseguir. Você e seus companheiros agora vão morrer.

Rodrom se dissolveu novamente em névoa. Só restou um bar devastado. O silêncio era mortal. Rhodan sabia exatamente o quão perigoso era este ser imaterial.

Rhodan se lembrou do dolan, que estivera no planeta. Deste modo, ele calculou que havia uma besta-fera entre os cinco mercenários. Neste caso, as chances eram ainda piores. A luta contra um policial do tempo de 3,50 metros era quase impossível. Seria necessário ácido stog ou armamento pesado para machucá-lo.

Devemos sair rapidamente daqui, antes que estas cinco criaturas nos encontrem — Rhodan decidiu.

Aurec estava visivelmente chocado com Rodrom. Ele tinha ouvido as palavras do ser vermelho.

Fui eu quem deu a ordem para a execução da família do Chanceler — tinham sido suas palavras.

Mas, para ele, o pai, mãe e irmãos de Aurec tinham sido menos do que peões.

O ódio represado no jovem saggittonense era visível.

Rhodan colocou a mão no ombro de Aurec. — Eu sinto muito. Agora você também entende porque nós terranos não queremos ter nada a ver com essas entidades...

Ele vai pagar por isso. Eu prometo — Aurec chiou obstinadamente.

Ele vai, mas primeiro temos de superar seus combatentes. E essa pode ser uma batalha perdida.

  1. Capítulo 16 

A luta dos Ambush

 

Sato tinha recuado de volta para o mundo de Embuscade. Ele esperava que este fosse o lugar onde Embuscade menos fosse procurá-lo.

O pararrealista tinha que organizar seus sentimentos mais uma vez. Por um lado, Embuscade era como um irmão para ele e, apesar de sua abordagem diabólica, ele tinha sentimentos fraternais para com seu paraego. Mas, por outro lado, Embuscade matara a pobre moça e queria matá-lo. Ele não tinha escolha a não ser lutar com ele.

Ele não pode prosseguir com sua reflexão. Embuscade apareceu de repente atrás dele.

O final começa, irmão — ele gritou. Seus olhos refletiam a loucura.

Sato levantou as mãos, mas Embuscade o atingiu. Ambush caiu duro no chão. Seu paraego atirou-se sobre ele e os dois lutaram no chão. Sato conseguiu se livrar de Embuscade com um golpe no abdômen.

Ele se levantou e fugiu, mas Embuscade se agarrou à perna de Sato. Ambush perdeu o equilíbrio e caiu novamente. Ele rolou por um declive. Um raio energético bateu quase ao lado dele. Embuscade usou seus poderes psíquicos para bombardeá-lo com bolas de energia. Ambush correu para uma ponte. Ela era construída de metal e não dava nenhuma impressão estável.

Tudo ficou tranquilo. Cessou até mesmo o familiar chilrear dos pássaros. Ambush se perguntou se Embuscade tinha mudado seu mundo.

Novamente dois golpes psi. Os pilares da ponte foram afetados. Eles começaram a ruir. Embuscade saltou com seu SERUN sobre a ponte, que já tinha sofrido danos significativos durante o combate.

Sato desistira de viver, mas ele também queria levar Embuscade para a morte. Ele se recompôs e criou um raio de energia psi. Que acertou Embuscade em cheio. O para-Ambush bateu na ponte. Sato se jogou em cima dele. Ele tentou voltar a gerar energia — bem como Embuscade. Ambos foram envoltos em uma esfera de energia psíquica.

Em seguida, o pilar da ponte desabou. A ponte caiu sobre os dois Ambush, envoltos em energia psi, e os levou para o abismo profundo.

  1. Capítulo 17 

Cidade de Nova Iorque, 1998

 

Era noite em Nova Iorque. Mais por essa razão, não estava silencioso na metrópole. As discotecas estavam abertas e as pessoas do tipo mais estranho povoavam Manhattan.

Sam frequentemente parecia chocado. Ele empurrou alguém por engano.

Desculpe, minha senhora — ele disse educadamente.

A mulher lhe mostrou o dedo do meio e disse: — Fuck you!

O que ela disse? Eu não aprendi esta palavra no hipnotreinamento — Sam disse, perplexo.

Perry pigarreou. — É melhor assim.

Eles foram para o Central Park.

Caso os lutadores de Rodrom estejam aqui, pelo menos não colocaremos as pessoas em risco — disse Rhodan.

Mas algumas criaturas estranhas estão correndo aqui — constatou Shel. Ela agarrou seus braços. Ela parecia estar com medo.

Aurec percebeu isso e colocou os braços ao redor dela.

Não se preocupe, Shel. Eles são apenas pessoas de seu povo — ele tentou acalmá-la.

Mas eles são tão diferentes — ela sussurrou.

Rhodan voltou-se para seus três companheiros. — Também devemos ter muito cuidado. O Central Park, no século 20 – especialmente à noite –, não era muito seguro.

De repente, ouviram um estrondo. Parecia a passagem de uma espaçonave.

Uma aeronave terrestre? — perguntou Sam, esperando a confirmação de Rhodan. Mas o camelotiano balançou a cabeça.

Eu não sei — ele confessou.

“Corra, Perry, corra!”

Rhodan colocou a mão em sua cabeça.

“Fuja e se coloque em segurança!”

A voz em sua cabeça foi repetida várias vezes. Ela parecia familiar. Ele já a tinha ouvido. Só que ele não conseguia identificá-la ou associar uma pessoa a ela.

Algo me diz que devemos desaparecer daqui.

Ele esperava que a voz em sua mente estivesse certa. Quem quer que fosse. Ou a mente de Rhodan pregava uma peça nele mesmo?

“Para biblioteca. Lá eu espero por você”, a voz interior aconselhou novamente.

Nós vamos para a biblioteca. Lá veremos o que fazer.

No mesmo instante, um raio energético errou Rhodan e bateu em uma árvore. Rhodan olhou na direção de onde o raio tinha vindo. Ele arregalou os olhos quando viu um pteru gritando. Do outro lado havia um hauri e um lare.

Fora daqui! — gritou Aurec.

Os quatro correram o mais rápido que puderam. Rhodan levou Sam nas costas, uma vez que este não tinha como correr. Eles correram para a rua e pararam um táxi.

Ei, parados aí. Para onde vocês todos querem ir? — perguntou o colorido motorista de táxi.

Para a biblioteca. Depressa! — instou Rhodan.

Calma. Em Nova Iorque, nunca se vai rápido para algum lugar — o taxista resmungou, aborrecido.

O táxi parou em um sinal vermelho. O homem parou.

Acelere, homem! — Rhodan exigiu asperamente.

Sim. Está vermelho. Eu tenho que esperar.

Atrás do táxi ocorreram várias explosões. Ark Thorn saiu de dentro dos arbustos. Na frente dele havia dois carros à espera do verde. Ele os pegou e jogou para o lado.

O taxista olhou assustado para fora e viu a máquina de combate chegar mais perto, com seus quatro braços e duas pernas.

Oh, Shit! — ele xingou e pisou no pedal. O carro partiu guinchando.

Eu te disse para pisar fundo! — disse Rhodan.

O policial do tempo correu atrás do carro.

Oh, Shit, o quanto corre essa fera? O que é isso? King Kong? — gritou o motorista de táxi.

Cale a boca e vá mais rápido do que 120 quilômetros por hora — disse Rhodan.

Você é o chefe!

O motorista de táxi dirigiu a muito mais do que 120 quilômetros por hora. Lentamente, ele se afastou do policial do tempo. Mas, da esquerda, veio outro carro.

O taxista gritou quando viu a face esquelética do hauri no outro carro.

Desvie! — ordenou Rhodan.

Então ele atirou do banco do passageiro, através da janela aberta do táxi, nos pneus do outro carro. Eles estouraram e o carro bateu em uma árvore. No entanto, Rhodan viu pelo retrovisor que os perseguidores saíram ilesos do veículo em chamas.

Agora rapidamente para a biblioteca!

Sim, tudo bem. Diga-me, você veio de Marte ou algo assim? Vocês são de Vulcano ou algo assim? — perguntou apressadamente o motorista de táxi e levantou a mão direita na saudação de Spock.

Vida longa e próspera. Eu quero isso também, cara! — ele acrescentou ansiosamente.

No entanto, Rhodan não sabia o que fazer com o nome Vulcano.

Eu também sou da Terra. Apenas nosso amigo alado vem da concentração de poder de ESTARTU.

O motorista de táxi apenas balançou a cabeça. — Turistas de merda!

Provavelmente o táxi havia estabelecido um novo recorde de velocidade para as ruas de Nova Iorque; mas, pelo menos, Rhodan constatou o quão rápido eles chegaram à biblioteca.

Rhodan deu ao taxista uma nota de vinte dólares.

Guarde o troco.

Ei, cara, você está brincando comigo? O passeio é 30 dólares mais a periculosidade! — O taxista gritou atrás dele, mas Rhodan, Sam, Aurec e Shel Norkat já haviam desaparecido dentro do prédio.

Eu deveria ter escutado Ma e deveria ter estudado Direito — resmungou o afro-americano e partiu novamente.

 

***

 

Assim que ele se virou a próxima rua, os cinco guerreiros chegaram ao edifício. Berool tinha um sensor em sua mão.

Aqui estão eles. Ark e Scardohn por trás. O resto pela frente!

Gluydor, Berool e Itzakk entraram na grande biblioteca.

Ela estava fechada a esta hora, mas um alarme guinchou por algum tempo.

Logo os policiais locais vão chegar — suspeitou Berool e ativou o hipercomunicador. — Ark, logo seus colegas terranos vão chegar, por favor, tome conta deles.

 

***

 

Rhodan e os outros tinham se escondido entre as enormes prateleiras.

Eles vão nos matar — sussurrou Shel. Ela estava tremendo toda. Aurec se esforçava visivelmente para tranquilizá-la.

Não, eles não vão — os quatro ouviram uma voz.

Rhodan conhecia aquela voz, era a mesma que também falou com sua consciência. Mas desta vez ele conseguiu reconhecê-la.

Ele não acreditou em seus olhos quando ele diante de si o pequeno asiático. As memórias acordaram em Rhodan — a Porta da Loolandre2, onde eles se encontraram pela primeira vez. Por inúmeras vezes este homem aconselhara e ajudara Rhodan. Este homem que era visto como um de seus amigos mais próximos e que ele duvidava que fosse encontrar outra vez.

Sato — Rhodan disse lentamente.

***

 

O piscar dos quatro pontos no sensor desapareceu.

O quê? — fez Berool. O lare apertou alguns botões, acreditando haver algum defeito no sensor. Mas ele logo percebeu que não havia nada.

Eles foram embora! Simplesmente desapareceram.

Também os demais se perguntaram se era o sensor, mas Berool afastou este erro.

De alguma forma eles conseguiram suprimir os valores da estranheza — o lare refletiu.

Itzakk bufou de raiva. Ele gritou e jogou algumas prateleiras no chão. Thorn tentou acalmá-lo.

Então vamos voar para a Europa e pegar os outros três — disse Scardohn.

Assim seja. Ark Thorn, prepare seu dolan. Rhodan, você não vai escapar de nós!

 

  1. Capítulo 18 

Os mercenários de Rodrom

 

Eles se foram. O absorvedor de estranheza surtiu efeito — disse satisfeito o pararrealista.

Perry Rhodan ainda pensava estar sonhando. Poucos minutos antes ele estava agachado junto com o somerense Sam, o saggittonense Aurec e a terrana Shel Norkat atrás de uma estante na grande biblioteca de Nova Iorque.

Então, Sato Ambush apareceu de repente, vindo do nada. O pararrealista já havia se comunicado telepaticamente com Rhodan, o advertido e apontado o caminho para a biblioteca.

Pouco tempo após o aparecimento do japonês, cada um dos quatro recebeu um cinto que foi colocado e apertado. Depois de ativado, como explicou Ambush, os valores de estranheza eram suprimidos e eles ficavam invisíveis para o sensor.

Ambush ainda tinha afirmado que os mercenários a qualquer momento poderiam localizar Rhodan e seus companheiros, simplesmente detectando a estranheza deles.

O plano de Ambush funcionou.

Nós ainda vamos ficar melhores. Eu aluguei quartos em um hotel. Lá estaremos seguros, desde que vocês não retirem os cintos — disse o homenzinho.

Obrigado, Sato! — disse Perry. Ele foi até o pararrealista e o tocou.

Você pensou que eu era um fantasma? — perguntou Sato sorrindo.

Rhodan não sabia o que dizer.

O que... o que aconteceu? — ele finalmente perguntou.

Ambush colocou a mão no ombro de Rhodan. — Tudo a seu tempo. Agora é a vez do hotel. Quem sabe quanto tempo vai levar para os assassinos de Rodrom perceberem o truque.

Temos de realmente sempre usar essas coisas? Elas são um pouco desconfortáveis! Quero dizer, um homem tem algumas necessidades durante a noite — baliu Shel e olhou furtivamente para Aurec, que ficou claramente embaraçado.

Sam mostrou claramente seu desagrado. — Controle-se, senhora Norkat! Estes seus rituais animalescos provavelmente podem esperar até nos livrarmos dos mercenários. Afinal, estamos em guerra!

As cinco pessoas chegaram ao hotel. Sato tinha escolhido um Hotel da rede Nobel. Para o deleite dos quatro heróis sitiados.

Para responder à sua pergunta, Shel — Sato começou. — O absorvedor precisa estar a menos de um metro de você para funcionar, caso contrário, será ineficaz e não poderá mais absorver sua estranheza. Portanto, você deve se certificar de usá-lo sempre. A exceção são as necessidades sanitárias de todo tipo.

Shel fez beicinho.

Caso contrário, não há exceções?

Sato deu uma risadinha.

Fazer amor é algo muito bonito, mas, francamente, neste momento é fora do lugar.

Eu entendo — Shel confessou desapontada e foi ao banheiro.

Sato balançou a cabeça.

Eles estão piorando em menos de 100 anos — ele murmurou para si mesmo e estava se referindo aos terranos.

Perry estava sentado em uma cadeira macia e cochilava. Sato não quis acordá-lo. Rhodan precisava de algum sono, bem como os outros. Aurec já tinha deitado em sua suíte. Apenas Sam ainda estava na sala de estar e tinha descartado seu disfarce.

É uma honra conhecê-lo, Sr. Ambush. Você é uma lenda.

Em suas palavras havia grande respeito.

Sato se alegrou muito. Ele pegou o membro de agarrar do somerense. — Acredite em mim, estou ainda mais feliz em encontrá-lo e ao verdadeiro Perry Rhodan.

Os dois se sentaram.

Como vamos continuar? — Sam perguntou. — Universos paralelos e pararrealidades são sua especialidade. Você tem alguma ideia sobre como podemos voltar para Saggittor? Você pode fazer uma ligação com a LONDON? Como vamos fazer eles se manifestarem de novo?

Sato sorriu. Seu sorriso era reconfortante e positivo.

Muitas questões exigem muitas respostas. Mas agora não é o tempo para respostas. Agora é hora de descansar. Além disso, você precisa dormir. Cuide de si mesmo, porque amanhã vai ser um dia difícil.

Sam assentiu.

Você provavelmente está certo. Então, vou me deitar — disse o somerense.

Desejo-lhe boa noite e bons sonhos. Deus – qualquer que seja aquele em que você acredita – esteja com você — disse educadamente Ambush.

Sam sorriu. — Obrigado, também lhe desejo boa noite.

 

***

O dia começou às oito horas da manhã para Rhodan. Ele normalmente não dormia tanto em situações de crise. Ele provavelmente desmaiara de exaustão. Ele tinha passado a noite inteira na cadeira. Ele podia sentir seus ossos. Sato estava na cama de Rhodan. Rhodan não pôde deixar de rir. Sato usava um pijama branco debaixo de seu quimono.

Eu senti sua falta, velho amigo.

Aurec veio do outro quarto, ainda parecendo estar bastante cansado.

Moin! — saudou Perry.

Moin? — Aurec repetiu confuso.

É alemão e significa algo como bom dia — disse o imortal.

Oh — fez Aurec e foi até a geladeira.

Parece que alguém pensou em tudo aqui — ele disse com satisfação.

Eu sugiro preparar o café da manhã — disse Perry alegremente.

Quem, nós mesmos?

Claro. É claro que podemos também chamar o serviço de quarto, mas é mais divertido se nós mesmos comprarmos pãezinhos, cozinharmos os ovos, fizermos café e chá e arrumarmos a mesa.

Bem, se você diz...

Aurec deu um suspiro profundo e entrou no banheiro. Ele não estava acostumado a cuidar de si mesmo. Afinal sempre houvera servos em torno dele em Saggitton.

Bem, eu vou começar sozinho — Rhodan disse para si mesmo.

Quando o café ficou pronto, ele também chamou Sato Ambush, Sam e Shel Norkat. Ele orgulhosamente lhes apresentou a mesa do café.

Uau, estamos presos em um universo paralelo, perseguidos por bestas cruéis, mas ele ainda faz um excelente café da manhã. Isso que chamo de legal! — disse Shel, cheia de respeito.

Bom apetite para todos. Apesar da situação desesperadora em que nos encontramos — Rhodan começou a comer.

Então ele se virou para Sato Ambush: — Bem, você tem de nos contar o que aconteceu depois que você desapareceu da TARFALA.

Sato Ambush contou sua história e da luta contra Embuscade.

— …Nossos Ki se fundiram. Minha mente e minha alma penetraram em seu corpo e pude matar Embuscade. Embuscade, minha imagem escura, não existe mais — Ambush terminou sua história.

Então você agora também tem o poder de se manifestar novamente em nosso universo?

Isso é provável.

Rhodan riu e abraçou o japonês.

Essa é a melhor notícia em muito tempo!

Sato quase chorou. Mas ele se recompôs.

Nós ainda temos alguns grandes problemas. Enquanto alternado entre mundos paralelos, fui alertado por uma entidade desconhecida sobre este universo paralelo. Ela me disse que o Perry Rhodan da minha realidade se encontrava nele e estava em perigo. Então eu os observei por um tempo e vi seu confronto com Rodrom e a chegada dos mercenários. Eu tinha desenvolvido, no mundo de Embuscade, o absorvedor de estranheza. Não foi difícil, pois eu tive décadas antes esta ideia e já tinha desenvolvido um protótipo. Eu precisei apenas construir alguns. Então eu os contatei. O resto, todos vocês sabem. Mas o problema é que agora não temos nenhum contato com a LONDON e eu também não consigo encontrar um modo de todos nós podermos voltar para nosso universo.

***

 

Rosan e Wyll não perceberam de imediato o desaparecimento súbito da LONDON. Eles ainda tentavam alcançar a espaçonave pelo intercomunicador, mas a LONDON foi já tinha entrado no hiperespaço. Então eles estavam por conta própria.

Wyll Nordment tentou alcançar Perry Rhodan, mas ele parecia ter desligado o intercomunicador.

Nordment e Rosan Orbanashol escanearam a área com os instrumentos do space-jet. Wyll encontrou uma pequena anomalia espacial sobre o Atlântico. Ele suspeitou que fosse um sinal oculto da desconhecida espaçonave de 100 metros da qual a LONDON tinha fugido.

Eles teriam de esperar dois dias até que a LONDON voltasse e tinham este tempo para encontrar Ullryk Wakkner. Talvez eles tivessem de ter cuidado e se afastar dos atacantes estrangeiros.

Eles decidiram primeiro procurar Wakkner. Com base nos sensores individuais e nas comunicações internas da cápsula, a trilha levava para a pequena cidade de Eutin.

Mas o sensor individual não estava funcionando normalmente. Eles não podiam determinar a localização exata.

Eles chegaram a um banco, para o qual apontava indubitavelmente a assinatura individual residual de Wakkner.

Então pararam em um estacionamento e saíram do carro. Rosan deu uma olhada geral ao redor.

Senhor Nordment, com todo o respeito, se você conduzisse uma espaçonave como dirige este veículo, então seria um péssimo comandante...

Wyll fez um gesto de desprezo. — Muito engraçado.

Rosan abraçou seu amado e lhe deu um beijo. Wyll ficou feliz novamente e ambos seguiram para o grande edifício do banco.

Eles subiram as escadas para o setor de informações e perguntaram sobre Ullryk Wakkner para uma mulher gorda. Ela os olhou de forma muito cética para os dois.

Rosan usou todo o seu charme arcônida. Ela se comportou de forma afetada e brincou com algumas de suas valiosas joias.

Queremos saber onde está nosso servo. Temos boas razões para assumir que ele esteve aqui há pouco tempo. Assim, você vai nos dar a informação ou é melhor eu falar com o gerente? Mas isso provavelmente implicaria que você em breve teria de acomodar suas nádegas gordas em outro lugar — disse Rosan com uma arrogância tão bem simulada que deixou Wyll atônito.

Ela tinha os melhores professores em sua família.

A gorda corou e respondeu secamente: — O homem esteve aqui, mas falou com o gerente. Então vocês vão mesmo precisar falar com ele. Além disso, eu não os autorizei a me tratarem de forma coloquial.

Oh… — Rosan respondeu de forma esticada.

Isso provavelmente não é nada”, pensou a jovem. Ela trocou um breve olhar com Wyll. Sua expressão facial mostrava que ele pensava o mesmo que Rosan.

Nós só queremos saber onde ele está neste momento — disse Wyll.

Eu não posso dizer. Então, querem falar com uma das secretárias do gerente? — impeliu a mulher.

Não, obrigado. Nós mesmos vamos achá-lo — disse Wyll. Ele tomou Rosan pela mão e rapidamente saiu com ela do edifício.

Eles se sentaram em um restaurante e refletiram por um tempo.

Ele levou consigo uma sintrônica. Ele foi primeiro até este banco — murmurou Wyll.

Rosan chupou com um canudo o líquido de sua caneca.

Talvez ele quisesse oferecer a sintrônica para o banco — ela adivinhou. — A sintrônica avançaria séculos as operações do banco.

Wyll assentiu. — Eu acho que você está certa. Essa seria uma razão para Wakkner. Assim, ele obteria poder e dinheiro e poderia fazer algo melhor de sua vida ferrada.

O que fazemos agora? — perguntou Rosan.

Invadir o banco e tentar encontrar alguma coisa.

Rosan sorriu. — Se minha mãe soubesse.

 

***

 

Quando escureceu, os dois se arrastaram para o edifício do banco. Ambos tinham vestido roupas pretas e tentavam ao menos proceder de tão profissional quanto possível.

Vamos tentar entrar por uma janela — Wyll decidiu.

Ele pegou uma corda e jogou-a para o andar superior. Ele subiu de forma bem dolorosa. Ofegante, ele alcançou a grade e constatou que todas as janelas estavam trancadas.

Wyll? — ele ouviu sussurrar a voz de Rosan.

Sim?

A porta está aberta aqui embaixo.

Oh!

Nordment desceu lentamente e se deixou cair os últimos dois metros sem cerimônias.

Você se machucou? — perguntou Rosan, preocupada.

Não, está tudo bem. — mentiu Wyll, que tinha entortado um dedo, mas era orgulhoso demais para admitir

Como você conseguiu? — ele perguntou, apontando para a porta aberta.

Rosan mostrou um cartão de identificação azul.

Estava aqui no chão, alguém deve ter perdido — disse a bela.

Ah — fez Wyll. Em seguida, abriu a porta e caminhou pelo corredor. Rosan o acompanhou de perto.

Eles entraram em alguns escritórios e abriram várias pastas. Quando não tiveram sucesso, ambos decidiram ir para o guichê geral. Lá Wyll Nordment teve mais sucesso. O terrano encontrou um movimento de mais de 50.000 marcos3. O pagamento foi efetuado em dinheiro para Ullryk Wakkner.

Ele também encontrou uma referência a um senhorio da elegante praia báltica de Timmendorfer Strand. Wyll deduziu que ele tinha alugado um apartamento para Wakkner.

Devemos fazer-lhe uma visita o mais rápido possível — exortou Rosan.

Wyll concordou, mas pensou que somente deveriam fazer isso na manhã seguinte. Ele estava muito cansado e acabado. Portanto, ambos foram para seu hotel, a fim de dormir.

 

***

O sol se levantou às cinco da manhã. A maioria das pessoas ainda estava dormindo. Mas quatro criaturas já estavam bem acordadas. Elas se dirigiam, com um veículo local, chamado de carro, para o resort e spa de veraneio Timmendorfer Strand.

Os valores da estranheza são bastante elevados. Aqui está um deles! — constatou Melsos de Berool.

Berool decidiu observar Wakkner. Ele tinha a esperança de que o terrano o levaria até Perry Rhodan.

O motor de repente começou a gaguejar. Scardohn, que dirigia o carro, fez um gesto de impotência.

O veículo não quer continuar — ele rosnou de raiva.

Não admira, você se esqueceu de reabastecer! — Berool retrucou friamente, apontando para o painel de instrumentos.

Ali! — gritou Itzakk quando viu Wakkner sair de casa.

Vamos segui-lo. Vistam suas roupas — instruiu Berool.

O hauri e o pteru colocaram capuzes sobre suas cabeças. O longo sobretudo de Itzakk também escondia sua cauda. Agora eram 06h20min.

Ullryk Wakkner parou no ponto de ônibus. Os quatro o seguiram a alguma distância.

Então um ônibus chegou ao ponto e Wakkner subiu.

Berool decidiu seguir o homem. Junto com os outros três, ele entrou no ônibus. Eles quiseram passar pelo motorista, mas este, um grosseirão sem graça rosnou para eles.

Sem bilhetes vocês não podem passar. Então, tratem de descer, senhores!

Os quatro extraterrestres se olharam perplexos. Eles não sabiam exatamente o que ele queria dizer.

Você quer dizer que temos de pagar pela viagem? — Berool persistiu educadamente.

Mas você é algum espertalhão! O que mais? Para onde quer ir?

O lare refletiu rapidamente. Ele tentou não olhar para Ullryk Wakkner. O terrano tinha se sentado no meio do ônibus. Para onde ele ia?

Última estação! — o lare disse finalmente.

Quatro... são 23,20 marcos. Por favor, rápido, senão vou me atrasar!

Berool lhe deu uma nota azul.

Tá de sacanagem! Você quer me irritar! Quer mijar em mim. Pague com dinheiro trocado ou vá a pé!

O lare gemeu alto. Ele não tinha dinheiro trocado. Itzakk começou a resmungar.

Você pode ficar com o troco. Porque foi muito gentil!

O motorista pensou um pouco e retirou 23,20 marcos de sua carteira. Ele colocou este valor no caixa do ônibus e colocou a nota em seu bolso.

Os quatro caminharam silenciosamente pelo do ônibus e se sentaram próximos um do outro.

Após cerca de meia hora, chegaram à cidade de Eutin. Eles seguiram Wakkner até o banco e esperaram até ele sair de novo depois de uma hora.

O que ele provavelmente fez? — ponderou o lare.

Ainda vamos descobrir! — disse Glyudor, que ainda estava na forma de um terrano. Ele mimetizou o rosto de um funcionário do banco, que provavelmente fazia uma pausa para o lanche, e se virou para ele.

Então, para mim será fácil — exultou o Gys-Voolbeerah.

Tudo bem, mas vamos ficar perto de você — disse Melsos Berool.

 

***

 

O deformador molecular entrou no prédio. Ele agora tinha a aparência de um dos empregados, mas continuava vestido com um traje negro. Glyudor subiu as escadas, até chegar à gerência.

Lá, um homem de meia-idade veio até ele. Ele estava bem-vestido, com um terno sob medida e gravata. Em seu crachá estava escrito Gerhard Pruesselmann.

O bancário parou e pediu para o DM, a quem chamou de senhor Hinzel, para entrar em seu escritório.

Glyudor estava obviamente confuso, mas ele seguiu o terrano. Quando entraram no escritório, o homem barbado de nariz pontiagudo se encostou, com os braços cruzados, em um armário. Ele tinha um sorriso estranho no rosto.

Há quanto tempo você trabalha aqui? — perguntou o terrano.

O DM fez uma careta. Ele não tinha a menor ideia.

Uh... — ele fez.

Cerca de um ano, não é? — constatou Pruesselmann.

Sim... exatamente!

O que mudou na sua vida desde então? — foi a pergunta seguinte do bancário.

Gluydor não sabia onde o homem queria chegar. Ele se aproximou para simplesmente matá-lo, mas se conteve.

Ou quais mudanças, em sua opinião, deveriam ter ocorrido? — perguntou ainda Pruesselmann.

Não sei — disse baixinho Gluydor.

Eu refleti. Talvez você devesse pensar em roupas melhores — aconselhou o desprezível terrano.

O DM olhou para ele e balançou a cabeça inexpressivamente.

O que é tão incomum nesta roupa?

Você não usa um paletó e, sobretudo, está sem gravata!

Sem o quê?

O Gys-Voolbeerah não sabia o que fazer com a expressão gravata. Pruesselmann olhou para ele horrorizado e apontou para a gravata.

Oh, você quer dizer essa coisa ridícula que circunda seu pescoço. Qual a função deste apêndice?

Como você se atreve! — exclamou o bancário com o rosto vermelho. — A gravata é uma expressão de autoridade e ordem, de seriedade e competência. Qualquer pessoa decente e, especialmente, todos os funcionários da nossa empresa têm de usar gravata. Tudo o mais está fora de questão!

Glyudor agora perdeu a paciência.

Ele pegou o bancário e puxou sua gravata com a maior força que conseguiu.

Pruesselmann borbulhou e engasgou. Ele tentou em vão se defender do DM.

Então Glyudor subiu na mesa e levou com Pruesselmann consigo. — Antes que eu te mate, me diga uma coisa: você sabe onde está Perry Rhodan?

O terrano balançou a cabeça e tentou respirar.

Glyudor puxou o bancário lentamente para cima. Depois ele amarrou a gravata na lâmpada da sala e empurrou a mesa. As luzes aguentaram o peso de Pruesselmann. Ele se contorceu e se remexeu por algum tempo, depois relaxou os membros e ele ficou balançando com a boca aberta e a língua de fora.

Veja para que serve sua gravata!

Ele voltou para os demais.

Aqui não há nenhuma informação. Apenas um monte de gente engravatada — o Gys-Voolbeerah ainda estava irritado com Pruesselmann.

 

***

 

Rhodan e seus companheiros ainda estavam esperando no seu hotel pelo retorno da LONDON. Os absorvedores de estranheza funcionavam perfeitamente. Rhodan não gostava dessa espera, mas não tinha escolha. Também Aurec explodia de entusiasmo. Ele andava para lá e para cá pelo quarto.

Então zumbiu o intercomunicador. Rhodan adivinhou que se tratava da LONDON.

Aí estão vocês! — ele começou a falar no intercomunicador.

Aqui é Wyll Nordment — ele ouviu a voz do navegador.

Onde estava a LONDON?

Suponho que no sistema Alfa Centauri. Nós não sabemos exatamente.

Nordment relatou sobre a fuga de Ullryk Wakkner e sua busca por ele.

Você encontrou Wakkner?

Não, nós ainda estamos procurando por ele.

Rhodan pensou por um momento, depois olhou para Sato Ambush. O pararrealista provavelmente tinha o mesmo pensamento do camelotiano. Os três não tinham absorvedores de estranheza e eram, portanto, um alvo para as bestas de Rodrom.

Sato Ambush afirmou que faria mais três absorvedores no mundo de Embuscade. Ambush desapareceu imediatamente, seguindo para o paramundo.

Rhodan explicou para Nordment sobre os absorvedores de estranheza e quis saber a localização exata dos dois.

Depois de uma hora, Ambush reapareceu. Os cinco seguiram. Rhodan decidiu usar o space-jet, mesmo que talvez pudesse ser rastreado pelos mercenários. A viagem com uma aeronave demoraria muito.

Ambush abreviou a viagem com suas capacidades parapsíquicas e, assim, puderam equipar Rosan e Wyll com os absorvedores.

Na parte da tarde, hora da Europa Central, o space-jet atingiu a costa do Báltico e pousou em uma clareira de uma área arborizada.

Nordment, Orbanashol e Ambush, então, procuraram Wakkner. Eles encontraram uma pista que levava à cidade costeira de Neustadt. Aparentemente Wakkner queria gastar com entusiasmo.

 

  1. Capítulo 19 

Hora ruim para comemorar

 

A discoteca local era o clube mais visitado da região. Ela ficava na orla da aldeia marítima Neustadt.

Soava uma alta e barulhenta música tecno quando Rosan e Wyll chegaram ao edifício.

Rosan tinha se adaptado à moda dos frequentadores. Ela estava vestindo calças pretas e um top preto que mostrava sua barriga. Em seu cinto largo, ela colocou o localizador e o radiador térmico, com tanta habilidade que parecia ser um detalhe de estilo. Wyll achou que Orbanashol estava extremamente sexy.

Os dois saudaram amigavelmente os porteiros. Mas estes não os cumprimentaram, olhando-os de forma hostil. Um gigante gordo, que facilmente poderia ter passado por epsalense, parou Wyll Nordment.

Você já tem dezoito anos, baixinho? Identidade! — ele rosnou.

Ah — fez, Wyll envergonhado.

Claro que ele era adulto. Mas sua identidade seria válida somente dali a três mil anos. Agora surgira um problema. Rosan interveio.

Você não sabe quem somos? É uma tremenda vergonha sermos controlados justamente aqui — ela berrou com fingida arrogância e indignação — Eu provavelmente vou ter de pensar duas vezes se quiser patrocinar este estabelecimento. Chame imediatamente o gerente desta cabana. Eu vou reclamar.

O gordo olhou surpreso para Rosan e pediu desculpas. Ele esclareceu que apenas fazia seu trabalho. Rosan sorriu e seguiu com Wyll.

Eles entraram na grande sala principal. No centro ficava a pista de dança, depois um palco onde ficavam os DJ, mexendo nos equipamentos de som. Dos dois lados havia bares e tendas.

O ar era abafado e a temperatura, muito alta. Cerca de 500 pessoas lotavam a sala, de pé no balcão e bebendo ou se divertindo enquanto dançavam.

Rosan olhou feio para Wyll quando ele olhou atentamente para duas mulheres seminuas. Ele voltou seu olhar mais uma vez para a jovem Orbanashol. Ambos tentaram encontrar Wakkner em algum lugar.

Também Sato Ambush deu as caras agora.

Este é o endereço do estabelecimento, então acho que ele vai aparecer aqui hoje — disse o pararrealista.

 

***

 

Melsos Berool, Gluydor, Itzakk e Scardohn também chegaram à discoteca. Eles sabiam o paradeiro exato de Ullryk Wakkner.

Silenciosamente eles passaram pelo gordo porteiro, que não se atreveu a verificar os quatro.

Homem corajoso — elogiou o lare.

Melsos Berool suspirou. De novo música barulhenta e atonal! Este contrato era muito mais desagradável do que ele tinha pensado.

Eles se dirigiram diretamente para a tenda defronte deles, onde estava Wakkner.

Mais escória — disse Scardohn desdenhosamente, enquanto olhava ao redor.

Alguns homens sem camisa passaram dançando por eles. Eles usavam luvas brancas e alguns objetos iluminados piscavam para fora de suas bocas.

Melsos Berool calou-se e perdeu um pouco da cor.

Nosso Mestre está aqui!

 

***

 

Rodrom não estava satisfeito com o trabalho de seus servos. Ele, portanto, mandou a WORDON e 100 unidades dos kjolles para o universo paralelo e quis seguir, ele mesmo, a caçada a Rhodan.

A encarnação vermelha surgiu no exterior do edifício. Ele caminhou lentamente para os porteiros da boate.

Foi fácil influenciá-los. Ele passou pelo caixa e subiu os poucos degraus da escada para o salão principal.

Muitas pessoas olharam espantadas para ele, mas não se interessou por isso.

De repente, os frequentadores gritaram de alegria, pois uma canção familiar foi tocada. Eles dançaram selvagemente.

Rodrom olhou ao redor e viu muitos homens e mulheres, muitos dos quais muito jovens, se contraindo em êxtase e seguindo o ritmo selvagem da música.

Aos ouvidos de Rodrom, parecia uma música estranha, cantada por uma boneca Barbie.

Rodrom parou diante de um jovem muito suado, que se movia convulsivamente, um passo para trás e outro para frente. Os olhos estavam fixos, a boca aberta. De vez em quando ele girava dois pauzinhos verdes incandescentes. O corpo estava em alta-tensão. Rodrom não sabia para qual mundo espiritual esta criatura tinha escorregado.

Ele foi para a pista de dança e empurrou rudemente os dançarinos ao seu redor, então ele subiu no palco e observou as pessoas. Dos lados dele, duas mulheres seminuas faziam poledance, para elevar ainda mais a temperatura do ambiente.

Sob aplausos estrondosos de uma multidão, elas retiraram seus apertados tops e os jogaram no meio da multidão. Elas giraram e se prenderam pelas pernas, esfregando os corpos nas hastes de aço.

Olhem-se no espelho, criaturas inferiores! Os terranos eram e são uma raça patética, não importa em que universo. Vocês pulam como idiotas no meio deste lugar. Vocês são os bobos do Universo. Até mesmo o menor e mais jovem de vocês se faz de tolo e sinaliza sua prontidão para acasalar.

Qual de vocês já se perguntou qual poderia ser a resposta para a Terceira Questão Definitiva?

Qual de vocês já pensou no Código Moral? Nenhum de vocês, porque vocês não são capazes disso. Vocês provavelmente acreditam que a Via Láctea era uma garrafa de leite que está sendo despejada em uma calçada.

Há universos entre vocês e eu.

Sua vida é tão miserável e desolada. Vocês vivem para seus partidos, para beber e para copular. Para esquecer sua monótona e odiada jornada de trabalho, vocês se jogam em aventuras semanais. Não me façam rir! E vocês chamam isso de aventura!

Em vez de explorar as maravilhas do espaço, vocês preferem se afundar em suas camas, como porcos guinchando; enfiam partes dos seus corpos nos outros, até que uma substância desagradável flua para fora do corpo. Esta é a sua força vital. Este é o significado das suas vidas. Vocês pensam que são perfeitos, mas são apenas uma piada. Vocês fazem parte do mais baixo nível do modelo das cascas de cebola.

Vocês são os esqueletos no armário da evolução.

O que vocês sabem da forma espiritual da existência? Uma vida incorpórea? Ser livre dos vícios repulsivos e constrangedores do corpo. Viajar com a alma através do Universo e conhecer as maravilhas cósmicas. Sem Perry Rhodan os humanos do universo padrão seriam como estes aqui.

Vocês são baixos e insignificantes. Sua alegria me repugna profundamente. Eu detesto vocês, seres mortais. Suas criaturas simplórias, vocês são estúpidos demais para pensar sobre sua vida sem sentido.

Vocês me deixam doente, seus animais. Eu não destruiria apenas Rhodan, mas todo este planeta miserável. Seria uma missão altruísta livrar o Universo da Humanidade, uma praga sem sofisticação alguma, gananciosa e ingênua.”

Rodrom agora também reconheceu Ullryk Wakkner. Ele fez um sinal para seus combatentes. Eles imediatamente se puseram em marcha para cercar o terrano.

 

***

 

Sato Ambush e os outros agora também notaram Rodrom e suas unidades de elite. Wakkner se divertia com suas mulheres em uma área de estar.

Sato Ambush tinha informado Perry Rhodan sobre seu paradeiro. Ele esperava o surgimento rápido de Rhodan e Aurec.

Itzakk abria caminho através da pista de dança. Ele simplesmente derrubava todo mundo. Quando os seguranças se aproximaram, ele também os derrubou. Scardohn sacou sua faca vibratória e se dirigiu para Wakkner.

Onde está Perry Rhodan? — ele perguntou em voz alta.

Wakkner balançou a cabeça.

Não tenho ideia.

O medo era fundo nele. Ele deixou cair o copo, pois entrou em estado de choque. As duas mulheres fugiram rapidamente. Wakkner começou a tremer e gaguejar.

Eu... eu... eu não tenho nada a ver com Pe... Perry Rhodan. Eu... eu...

Criatura miserável! — gritou Scardohn e sacudiu-o.

Enquanto isso, Aurec e Rhodan tinham chegado ao clube.

Rodrom os notou imediatamente. Ele informou Ark Thorn para ele entrar no prédio.

Perry Rhodan correu para Wyll Nordment, Rosan Orbanashol e Sato Ambush. Eles indicaram onde estava Wakkner e os assassinos de Rodrom.

Rhodan tirou um radiador térmico, bem como Aurec. A inquietação se espalhou na discoteca. As pessoas entraram em pânico. Da parte de baixo, eles ouviram um grande estrondo e gritos. A música parou.

Rhodan aproveitou a oportunidade e disparou em Melsos Berool. Wakkner fugiu. Itzakk arrancou o manto do seu corpo e gritou em voz alta.

O povo gritou quando viu a verdadeira forma do Guerreiro Eterno. Eles desceram correndo em pânico as escadas, em direção à saída. Mas não foram muito longe, porque Ark Thorn correu a toda e atravessou uma parede.

Em pânico, os jovens gritaram e correram para salvar suas vidas. Alguns caíram só de ver a besta e perderam imediatamente a consciência. Thorn varreu a multidão com os braços.

Droga, pegue Wakkner e, então, vamos sair daqui — gritou Rhodan.

Itzakk e Scardohn atiravam descontroladamente para todo lado e já tinham ferido ou matado mais de uma dúzia de pessoas.

Aurec agora tinha agarrado Ullryk Wakkner. Eles correram para a saída. Mas Ark Thorn os esperava nas escadas, para enfrentá-los.

No entanto, o peso do policial do tempo era muito alto e ela quebrou.

Rhodan, Aurec e os outros quatro aproveitaram a oportunidade e pularam sobre o gigante, caído de costas no andar de baixo, em seguida, eles correram para fora do prédio, para um carro, onde Shel Norkat e Sam os esperavam. O veículo acelerou com a máxima velocidade.

Scardohn, Itzakk e Gluydor saltaram no próximo veículo e iniciaram a perseguição.

Rodrom olhou para os feridos Berool e Ark Thorn. — Subam no dolan e esperem em órbita!

O que será dos meus homens?

Você perdeu sua chance. De agora em diante eu vou assumir pessoalmente a tarefa de acabar com Rhodan — Rodrom explicou grosseiramente.

Berool sabia o que isso significava. Não só o fim para seus homens e para Rhodan, mas para todo o planeta.

 

FIM

 

Os eventos foram ignorados desde o sequestro da LONDON. Os galácticos ainda deveriam estar seguros junto aos saggittonenses, mas são caçados no escuro por Rodrom e estão, neste momento, em um tempo e um universo diferente. A primeira parte do grande final é trazida por Nils Hirseland no volume 7: LUTA POR SAGGITTOR

 

  1. COMENTÁRIO 

 

Aqui acaba a segunda parte da história real, que foi tão bem parafraseada pelo subtítulo original “Odisseia de Rhodan”. A encarnação de uma entidade “sinistra”, chamada MODROR, que nos acompanhará sempre daqui por diante, fez sua grande entrada. Perry e a LONDON foram lançados em um universo paralelo e, depois, executaram um salto temporal. Os nomes Pathfinder e Mir indicam que deve ser nosso universo. Nesta realidade não houve nenhum Perry Rhodan na Lua, que encontrou os arcônidas e fundou a Terceira Potência. No entanto, deve ser, e isso é claro, um universo paralelo, pois na Terra não se conhecem hauris, lares ou condicionados de segundo grau, sem falar de um monstro “vermelho” com um capacete que esconde a face. A Mir não foi ainda retirada da órbita da Terra devido a uma suposta colisão com um “OVNI”. Bem, todos nós já sabemos ser quase certo que o número de possíveis universos paralelos se aproxima do infinito.

Mas agora de volta para o romance de Nil.

Em Sato Ambush, que é um dos personagens mais importantes dentro do universo paralelo Dorgon (sim, trata-se exatamente disso!), faz sua primeira aparição. Gostaria de aproveitar a oportunidade aqui para reproduzir algumas reflexões sobre o papel do pararrealista na primeira edição.

Sato Ambush, além de sucessor natural de Geoffrey Abel Waringer nos volumes 1200-1600 da primeira edição, como se suspeitava, era um grande jogador. Este foi o momento em que o físico Kurt Mahr (Klaus Mahn), junto com Ernst Vlcek, como coordenador da série original, a afetou significativamente. E, para esclarecer um equívoco popular de vez, não foi Willi Volz, mas Kurt Mahr, quem desenvolveu o modelo das cascas de cebola. Portanto, não foi surpreendente que o físico Mahr assumisse os modelos atuais da cosmologia moderna e os internalizasse na trama. No entanto, eu gostaria de dizer algo bem crítico, que parece pairar não só nas mentes de muitos leitores, mas também de muitos coautores. Para mim, o uso das possibilidades da cosmologia quântica na superestrutura e na trama foi um dos destaques da série. Infelizmente foram gradualmente descontinuados os personagens que ele criou para a série, pois aparentemente seus sucessores não conseguiam fazer nada com eles.

O mais importante aqui é, sobretudo, acompanhar o destino do japonês pararrealista, que já teve um papel de destaque nos destinos da série. Sato foi o único candidato a um ativador celular que foi rejeitada pelo “velho saco de risadas”, um acontecimento notável. É exatamente neste ponto que mergulhamos dentro da série Dorgon.

Por que Sato foi rejeitado por AQUILO? Sobre sua integridade “moral” e habilidades ninguém pode falar nada e os demais portadores de ativador, para dizer o mínimo, eram muito mais vulneráveis sob este aspecto (basta citar Tekener)! Sato tornou-se muito perigoso para os manipuladores além das fontes de matéria?

Bem, e isso é um abismo muito desagradável, vamos ver...

Jürgen Freier

 

  1. GLOSSÁRIO 

 

Sato Ambush

 

Sato Ambush, por Roland Wolf

O pararrealista esteve durante sua odisseia em vários universos paralelos, para ajudar a Humanidade e apoiar Perry Rhodan e Aurec.

História

Sato Ambush é considerado o verdadeiro criador de um novo ramo da ciência, o pararrealismo. Os termos com que Sato Ambush trabalha são, na sua maior parte, emprestados das filosofias do Leste Asiático no século 21, como o Ki, a força de ligação entre mente e corpo; ele os desenvolve com base no Princípio da Zhakra, a conexão interna entre todas as disciplinas científicas (nexialismo), com a esperança de poder compreender todos os fenômenos que são acessíveis para as pessoas apenas em nível espiritual e, assim, desenvolver uma teoria unificada do Universo.

Através do Ki ele consegue fazer sua mente agir nos estados quânticos de seu ambiente e, portanto, consegue transportar não apenas a sim mesmo, mas também aos demais, para as realidades paralelas.

Por volta de 426 NCG, Ambush participa de várias ações do GIO4 e, no final de 448 NCG, se encontra a bordo de uma espaçonave da Flotilha de Tarkan, de onde retorna com 700 anos de atraso para o universo padrão. Após a trágica morte de Geoffrey Abel Waringer, Ambush se torna seu sucessor. Nos anos seguintes, ele se envolve com a Pérola Moto e tenta resolver o segredo dos nakks.

Durante o confronto com Sinta em uma dobra do espaço-tempo, ele encontra seu paragêmeo e descobre que a única maneira de salvar a expedição é ele mesmo ficar para trás.

Dorgon

No ano seguinte, ele é cuidado por seu paraego. Mas Embuscade usa suas paracapacidades para explorar os povos dos universos paralelos. Apesar de Ambush não concordar com isso, ele não pode fazer nada contra o poderoso Embuscade, que usa um ativador celular. Por muitos anos Ambush tenta estabilizar suas habilidades de novo, vivendo em uma dimensão entre os universos paralelos. Por fim, depois que Embuscade mata uma garota inocente, ocorre uma batalha entre os dois “irmãos”, na qual os dois se mesclam. Ambush consegue matar a alma de Embuscade e se funde com seu paraego. Daí em diante, ele é capaz de voltar a se manifestar no universo normal por um determinado período de tempo.

Características

Nascido em 386 NCG, no Japão, Terra. Tem 1,68 metros e 55 kg. Seus olhos são castanhos, a boca é de lábios finos e ele fala com voz aguda e clara. Seu cabelo cinza é quase raspado, tendo apenas alguns milímetros. Ele é muito consciente da tradição, por isso geralmente usa um quimono e adere à tradição japonesa de comer com pauzinhos.

Aurec

 

O Saggittonense Aurec por Gaby Hylla

Aurec é o filho mais velho do chanceler Doroc. Seu pai, em 1285 NCG, era o líder da República Saggittor. Aurec passou uma infância tranquila e teve uma excelente educação. Sábios professores lhe ensinaram os princípios mais importantes e a ter moral. O jovem saggittonense era considerado o sucessor de Doroc.

Ele tinha dois irmãos, um irmão e uma irmã, que eram politicamente desinteressados.

Em 1285 NCG, Aurec e o almirante Dolphus, obedecendo ordens da superinteligência local SAGGITTORA, partem em uma expedição para explorar o Grupo Local. SAGGITTORA lhes mostra o caminho através de um portal estelar.

Eles encontram a LONDON, que acabara de ser sequestrado pelos sectários de Dannos. Por engano, os passageiros a bordo da espaçonave da Hansa são paralisados e capturados. Já no caminho de volta para Saggittor, os primeiros galácticos acordam. Aurec rapidamente passa a confiar em Perry Rhodan, que estava a bordo. Ele retira os soldados da LONDON e os convida a conhecer Saggittor. Na espaçonave, Aurec conheceu a jovem terrana Shel Norkat e se enamorou dela. Logo após os terrano chegarem a Saggittor, o avatar Rodrom se tornou consciente deles. Rodrom se aliou a Dolphus e matou a família do Chanceler. Apenas Aurec sobreviveu, mas foi perseguido por Dolphus. Junto com Rhodan, Wyll Nordment, Sam e Rosan Orbanashol ele foi transferido, com a LONDON, para um universo paralelo. Neste universo paralelo o Sistema Solar se encontrava em 1998 dC. Era um mundo sem Perry Rhodan. Lá, os heróis tiveram de vencer os perigosos caçadores de Rodrom.

Características

Nascido em Saggitton, galáxia Saggittor. Ele tem 1,81 metros e 79 kg. Seus olhos são castanhos e o cabelo é negro. Atlético, inteligente, charmoso, simpático e naturalmente atraente, ele se assemelha a um europeu do sul. Ele tem ideais morais e éticos elevados e daria sua vida, a qualquer momento, para salvar outro. Às vezes é cabeça quente e reage sem pensar.

 

Saggittonenses

Os saggittonenses são um povo humanoide da galáxia Saggittor (designação terrana: M-64 — Olho Negro). Os saggittonenses são muito semelhantes aos terranos, exceto por pequenos arranjos diferentes na estrutura orgânica. A cor da pele varia de bronzeada a escura. Seu cabelo vai do marrom ao preto; a cor dos olhos varia entre verde, marrom e quase preto.

Características

Os saggittonenses são orgulhosos e sedentos por aventura. Embora sejam considerados pacíficos e justos, também têm temperamento explosivo. Seu orgulho pode — em particular devido à sua posição política e militar na galáxia M-64 — às vezes se transformar em arrogância e sentimento de superioridade.

São conhecidos em Saggitton como especialmente honrados, artisticamente dotados e bons guerreiros. Eles honram tudo o que faça Saggittor avançar. Ações egoístas são consideradas desonrosas. Elas também são execradas em público.

Sociedade

A igualdade de gênero, a liberdade religiosa e o direito à autorrealização são altamente considerados em Saggittor. As pessoas devem ser equilibradas. O indivíduo deve ser guiado por seus pontos fortes e fracos.

O senso de família é forte nos saggittonenses. O divórcio é um cenário apocalíptico, mas permitido sob condições estritas (maus-tratos, várias traições). As crianças são altamente valorizadas e se dedica um monte de tempo e esforço à educação dos filhos, quer por meio do estímulo dos pais ou por um sofisticado sistema de educação.

Um saggittonense adolescente deve aprender ética para viver com decência e honra, a arriscar sua vida para o bem da comunidade e a proteger os fracos. Ele deve ser formado e, posteriormente, treinado na arte da guerra. Após a conclusão deste treinamento básico, ele pode escolher sua carreira de acordo com seus anseios (mas, às vezes, sob pressão da família).

Embora haja igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, não há nenhuma igualdade formal entre ambos os sexos. A emoção da diferença e o amor são importantes. Como o conceito de honra e hombridade possuem forte influência na vida, também é normal um homem cortejar a mulher ou vê-la como o sexo fraco. As mulheres saggittonense pouco interferem na sociedade e deixam para os homens pensarem que são fortes, pois sabem que elas são bastante superiores.

Economia

A economia tem um papel pequeno na galáxia. Ela é considerada um meio para garantir a prosperidade e o poder da população. Provou-se há séculos que os saggittonenses trabalham para o progresso e a preservação e não para o ganho pessoal. Embora usem dinheiro, não existe na maioria dos mundos nenhuma subclasse social ou uma elite rica. O resultado é o equilibrado, que é regulado por legislação apropriada.

Alimentação dos saggittonenses

Os saggittonenses — como os terranos — comem carne e vegetais. Eles cozinham e gostam de comer e apreciam comida saudável e picante.

Comida

Carnaroosa = ensopado de carne (Carna = carne, Roosa = guisado)

Aeticua = uma iguaria espacial. Concentrado aquecível que, de acordo com o tipo, se transforma em mingau com legumes, guisado, carnaroosa ou algo similar.

Bebida

Os saggittonenses dão grande importância a um bom vinho para o jantar. A combinação de comida picante e cerveja para saciar a sede é intencional, mesmo que isso signifique que se fique solidamente bêbado depois. Portanto, a principal refeição só é servida após o pôr do sol.

Vino = Vinho doce

Ebi-Vino Scil = vinho meio-seco

Ebi-Vino = vinho seco

Sorfa = cerveja

Qeuca = água

Fruta-Queca = suco de fruta

Aljada = Vitamina de frutas

Bisca = café preto feita com grãos da grande floresta tropical

Unidades

O reto constitui a base do sistema de medição. Comprimentos abaixo de um reto são conhecidos como peqa-reto, dimensões maiores são chamadas de alto-reto.

1 reto = 1,25 metro

1 peqa-reto = 0,25 centímetro

500 peqa-reto = 1,25 metro = 1 reto

500 reto (625 metros) = 1 alto-reto

Exemplo: O diâmetro da discoide SAGRITON é de 5.000 metros ou 8 alto-reto.

Unidades Astronômicas

Assim como os terranos, os saggittonenses medem em anos-luz a distância entre os corpos celestes.

Tempo

Os saggittonenses combinaram com outros povos uma cronologia unificada dentro da galáxia. O cálculo do tempo era diferente do NCG da Via Láctea. Ali nenhuma adaptação fora feita para uma determinada época de um povo, mas foi introduzido um cálculo que era uma mistura dos cálculos usuais da comunidade.

O ano (anor) é a unidade de tempo mais elevada. Ele contem 25 semors (semanas). Cada semor tem 50 diats (dias). Assim, um ano saggittonense tem 1250 dias (diats). Um diat tem 10 horas (horar). Um horar é formado por 25 minutos (nutos). Um nuto é composto por 50 peq-nutos que (exceto em ciências e esportes) é a menor unidade de tempo em uso normal.

No cômputo terrano, um peq-nuto corresponde a meio segundo. Cinquenta peq-nutos, portanto, são 25 segundos terranos. Somi é um minuto saggittonense, 25 segundos terranos. A hora saggittonense (horar), portanto, tem 12 ½ minutos terranos. Um dia saggittonense tem apenas 125 minutos terranos. Uma semana saggittonense é a principal unidade de tempo saggittonense — mas não dos outros povos (os holpigonidas preferem os anors enquanto os varnides preferem o diat). Uma semor (semana), portanto, tem 50 dias, com 125 minutos cada. Assim uma semana saggittonense tem 6250 minutos. Isso corresponde a 104 horas terranas, ou seja, 4,3 dias. Assim, o ano saggittonense, 25 ½ semors, tem 108 dias terranos.

Unidades de tempo

Anor (ano) — 108 ½ dias

Semor (semana) — 4 1/3 dias

Diat (dia) — 2,08 horas

Horar (hora) — 12 ½ minutos

Nuto (Minuto) — 25 segundos

O tempo regional é adaptado aos ciclos de duração de rotação / dia e de noite. Para esses momentos especiais os saggittonenses usam o termo “netar”, que significa algo como planeta. Um netar-diat no mundo Saggitton corresponde a 10 diats normais.

1Nota do revisor: Os pterus são os povos dominantes da galáxia Muun na concentração de poder da superinteligência ESTARTU. Foram os principais povos recrutados pelos Guerreiros Eternos que espalharam, em nome da então desparecida superinteligência, a pavorosa doutrina do Conflito Permanente.

2Nota do revisor: A Loolandre é a unidade 1 da Armada Infinita e chamada de o coração da Armada – é feito de matéria planetária, um corpo celeste artificial do tamanho de um sistema solar, que foi criado na galáxia Behaynien.

3Nota do Tradutor: dinheiro alemão antes da introdução do euro.

4Nota do Tradutor: Grupo para a Independência Orgânica; organização de resistência aos Guerreiros Eternos, que haviam conquistado a Via Láctea.